ENTRETENIMENTO POSSÍVEL

30/12/2011

“Missão: Impossível – Protocolo Fantasma” vale o ingresso.

Se não fosse por outras razões, já seria por (no quarto episódio) garantir 133 minutos de entretenimento e não causar aquela sensação frequente em sequências de “deveriam ter parado no último”.

O filme tem o pacote completo da franquia: ação sem descanso, boa dose de pancadaria, pessoas que não são quem você pensa e Ethan Hunt fazendo o impossível para completar sua missão – no caso, salvar o mundo.

Li algumas críticas desabonadoras e entrei no cinema meio ressabiado, mas saí com a conclusão de que quem não gostou deste não tem nenhum motivo para ter gostado dos anteriores.

A propósito: o meu preferido é o segundo filme, o que começa com Hunt escalando uma rocha e recebendo sua missão ao usar um óculos Oakley. Além disso, é o episódio que tem a música Take a Look Around (Limp Bizkit), que é, de longe, a melhor já usada na série.

Mas “Protocolo Fantasma” tem algo mais – a direção de Brad Bird, que certamente levou sua experiência com animações (“Os Incríveis”, “Ratatouille”) para a empreitada produzida por Tom Cruise.

As cenas que você sabe que não são reais são insanamente reais.

Uma sequência é especial. Hunt, com luvas criadas para transformar pessoas em aranhas, escala as janelas de vidro do prédio mais alto de Dubai para manipular o servidor de internet do local. Obviamente, uma das luvas para de funcionar. Obviamente, ele se contorce em movimentos inimagináveis a um quilômetro de altura. Obviamente, ele escolhe um método ainda mais suicida para voltar.

O negócio é vertiginoso ao extremo. Provavelmente me obrigará a rever o filme num cinema IMAX.

Outro mérito da franquia MI é navegar muito bem pela fronteira entre as forçadas de barra aceitáveis e o chamado “território Van Damme” (alguns prefeririam “território Dolph Lundgren”, mas acho injusto até com Van Damme). Mesmo as cenas impossíveis para um ser humano são feitas de um jeito cool, que não produzem o riso do ridículo.

Falando em riso, o filme tem momentos divertidos, graças principalmente a Benji (Simon Pegg, que apareceu no terceiro episódio), o cérebro responsável pelo aparato tecnológico da equipe de Hunt.

“Missão: Impossível – Protocolo Fantasma” termina com o recebimento de uma nova missão, o que praticamente garante um quinto filme.

Comprarei o ingresso.


CORRA DO 348 (de Higienópolis)

17/09/2011

Costumo relatar aqui experiências agradáveis que tive e recomendo.

Mas este post inaugura uma faceta “quem avisa, amigo é” do Mais Gelo.

Estive na filial de Higienópolis do restaurante 348, na semana passada.

Foi a primeira e a última vez.

O 348 é um conhecido restaurante de parrilla argentina de São Paulo. A casa que fica na Vila Olímpia existe há muitos anos e é excelente. No ambiente, na carne, no vinho, no serviço.

Nunca me decepcionei lá.

A filial de Higienópolis abriu no ano passado e em nada, absolutamente nada, lembra o primeiro endereço.

Não sei se é um esquema de franquia, se são os mesmos donos. Só sei que não deveria ter o mesmo nome, é um embuste.

A fachada é até bonita, mas os elogios terminam aí.

Sentamos num corredor retangular que fica ao lado da cozinha. No fundo, uma televisão de plasma presa na parede já poderia ter sido um sinal de que algo estava errado.

Televisão em restaurante, exceção feita a “sports bars” e lugares como Outback e Applebee’s, é fria.

O 348 da Vila Olímpia é decorado com capricho, bom gosto, de forma a fazer o cliente se sentir em Buenos Aires.

O 348 de Higienópolis é decorado com desleixo, de forma a fazer o cliente se sentir num restaurante de beira de estrada.

Mas se fosse só isso, estaria bom.

Pedimos quatro bifes de contra-filé. Dois bem passados, dois ao ponto. Chegaram frios.

E os que deveriam estar ao ponto, estavam crus.

É fato que poderíamos chamar o garçom e relatar o problema. As carnes voltariam para a cozinha e, talvez, retornassem como pedimos.

Provavelmente deveríamos ter feito exatamente isso.

Mas tenho uma certa dificuldade nesse tipo de situação, tendo a pensar que o estrago já está feito e é irremediável.

Fora isso, o que esperar de uma casa especializada em carnes que não consegue servi-las conforme o pedido do cliente?

Os acompanhamentos, uma salada e uma porção de batatas fritas, vieram acomodados em gigantescas tijelas de vidro, como se costuma fazer em lanchonetes de parques de diversão.

Come aí.

Com muito esforço, chegamos à sobremesa. Panquecas de doce de leite.

O garçom falou que o prato estava quente. Poderia ter avisado que o doce de leite estava em chamas. Do tipo que queima – e queimou mesmo – a boca.

Para fechar a experiência, nossa mesa ficava no começo do tal corredor, bem perto da entrada da cozinha.

Só comemos o que pedimos, mas sentimos o cheiro de todos os outros pedidos feitos enquanto estivemos lá. Não foram muitos, é verdade, já que o lugar não estava concorrido, numa noite de sexta-feira.

Não surpreende.

Terrível.

Comentei o assunto com amigos viciados em carne, como eu. Foram unânimes ao estranhar a diferença em relação ao primeiro 348.

Voltarei ao endereço da Vila Olimpia para ver com meus próprios olhos.

A esse, de Higienópolis, aconteça o que acontecer, não volto nunca mais.


O PATRIARCA

10/08/2011

Fiquei devendo, e faz tempo, o relato de uma visita ao “pai de todos”.

Pois bem, voltamos recentemente. Aí vai:

Fasano é um lugar especial em São Paulo, porque não fica em São Paulo. De fato, não fica no Brasil.

Nada contra os restaurantes paulistanos e brasileiros de todos os tipos e cardápios, que fique claro. A fartura e qualidade de opções é reconhecida internacionalmente. Para quem gosta é um privilégio.

Só que há lugares que têm o poder de fazer o cliente viajar sem entrar no avião. O Fasano é assim: te leva para a Europa.

A partir do momento em que se entra no hotel, o ambiente, a decoração, o cheiro, é tudo diferente. A viagem continua até o restaurante.

Chegamos numa sexta-feira fria. As lareiras do lobby estavam acesas, contribuindo para o clima europeu da experiência.

A mesa estava reservada, nós não nos atrasamos e por isso não tivemos que passar pelo bar – o que não teria sido necessariamente um problema.

É interessante como um dos locais mais sofisticados da cidade consegue ser simpático e agradável no trato com os clientes. Mérito dos funcionários. Não há nada esnobe ou desnecessário no serviço, característica das casas de Rogério Fasano.

O couvert chegou em segundos. Pedimos água para acompanhar uma garrafa de vinho que levamos, e logo recebemos na mesa a visita do sommelier Manoel Beato.

Beato é uma figura simpaticíssima, uma das atrações do Fasano. Ele quis saber se tínhamos alguma recomendação para o vinho. Obviamente, deixamos tudo a critério dele.

Não sou um conhecedor de vinhos, mas um admirador. Além de beber, gosto de ler sobre o assunto e conversar com quem conhece. Espero que o Beato não tenha ficado incomodado com minhas perguntas.

O salão do Fasano estava com uns 60% de ocupação. Muitas mesas aparentemente formadas por hóspedes do hotel, incluindo uma mais barulhenta, perto de nós, que não chegou a atrapalhar mas foi motivo de alívio quando se levantou.

Minha mulher e eu pedimos os mesmos pratos. As costeletas de cordeiro com crosta de pão, com dois acompanhamentos: risoto de parmesão (para ela) e purê de batata (para mim).

Costeletas de cordeiro são um problema pessoal. Elas me cegam para outras possibilidades. É a segunda vez que vou ao Fasano e nem olho o cardápio.

Este post também serve para anunciar que o topo do meu ranking particular mudou. É do Fasano a melhor costeleta de cordeiro que já experimentei.

Para facilitar as coisas: TUDO estava excepcional.

Torta de maçã e sorvete de pistache de sobremesa. Café e chá.

O Fasano é um lugar para ir de vez em quando, de modo que não se torne “comum”. Um restaurante para jantares especiais.

Voltaremos.

(Desculpem pelo longo período de hibernação do blog. Como quem perde tempo com visitas a esta página bem sabe, o MG é uma iniciativa puramente pessoal, que trato sem a menor pressão. Compreendo e obviamente agradeço o interesse. Tentarei ser mais frequente.)


A ARTE DE SERVIR

16/06/2011

Reproduzo abaixo a coluna de André Barcinski, publicada no caderno “Comida” da Folha de S. Paulo de hoje. Comentários após o texto.

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GARÇONS, INVADAM A FASHION WEEK!

NÃO EXISTE profissão mais injustiçada que a de garçom.

Tem muita gente que acha que basta equilibrar dois pratos em cima de uma bandeja para ser garçom. Quantas vezes você não ouviu: “Ah, estou só fazendo bico num restaurante até conseguir uma vaga no escritório de design”? Ou ainda: “Assim que a agência chamar, eu largo isso aqui!”?

Perdi a conta de quantas vezes fui atendido em algum restaurante por um(a) modelo(a) que passou mais tempo fazendo o cabelo que decorando o cardápio. Daí você faz qualquer pergunta que está fora do roteiro e eles se descabelam e correm para perguntar ao maître.

Garçom é que nem juiz de futebol: quando trabalha bem, passa quase despercebido. Mas vivemos na era das aparências. E tem muito lugar por aí que prefere um Justin Bieber de piercing no nariz a um garçom de verdade.

Cada vez que vou comer paella, puchero ou polvo à espanhola no PASV (av. São João, 1.145, SP) e sou atendido pelas duas senhorinhas adoráveis, Glória e Maria, que estão lá há tantos anos que nem lembro mais quem é a Glória e quem é a Maria (a solução é chamar as duas de “Glória Maria”), me aborrece mais ver lugares contratando modeletes.

Pertinho do PASV fica o La Farina (rua Aurora, 610, SP). Além de ter massas deliciosas e baratas, o lugar tem uma das maiores coleções de garçons “old school” da cidade. São veteranos que conhecem o cardápio -imenso- de cor, parecem adivinhar a hora de vir à sua mesa e trabalham com uma rapidez fulminante. Em suma: profissionais.

Acho uma tremenda injustiça o que fazem com os garçons. E como acredito no conceito da reciprocidade -dente por dente, colher por colher, essas coisas- queria sugerir aos nossos garçons uma atitude radical: por que não aproveitar a São Paulo Fashion Week e exigir, nem que seja por uns dias, tomar o lugar das modelos?

Eu não entendo patavinas de moda. Mas faria de tudo para ver dona Glória e dona Maria, com um tacho de paella fumegante, desfilando na passarela da Fashion Week. Isso sim seria uma vingança saborosa.
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Temos aqui mais um caso de alguém que escreveu exatamente o que penso.

Exatamente.

Também não gosto quando vou a um restaurante e sou atendido por alguém que está ali para ser visto, não para servir.

Essa atitude estou-aqui-de-passagem se volta contra o estabelecimento, porque serviço é fundamental.

Nenhuma – atenção: nenhuma – crítica a trabalhos temporários, a quem busca se manter como garçon, barman ou seja como for, enquanto não surge uma oportunidade numa área preferida.

Não discuto, nem por um instante, o valor do trabalho.

A questão é como se faz.

Já passei algumas vezes pela situação mencionada no texto, de perguntar uma coisa sobre o cardápio ao garçom bem apessoado e ouvir o “espera só um minutinho…”.

Outras vezes, fui alvo dessas demonstrações de amizade artificial que, claro, são estimuladas pelo estabelecimento. Vai ver alguém acha que a relação cliente-garçom precisa ser discutida. Eu só acho que ela precisa ser eficiente.

Na boa, não consigo me sentir bem quando alguém, que nunca vi, me trata como amigo de velhos tempos. Isso não tem nada a ver com simpatia ou mesmo cortesia.

Não sei agir assim e me incomodo.

É totalmente diferente da relação que se cria quando nos tornamos clientes assíduos de um local, o que propicia encontros e papos agradáveis com gerentes, mâitres e garçons.

Como frequento basicamente as mesmas casas, isso acontece muito.

Se eu quisesse  ficar conversando com uma pessoa que não conheço, num restaurante, iria ao local sozinho e iniciaria a conversa.

Nunca me esquecerei da experiência que tive numa festa de casamento, há alguns anos. Nossa mesa foi atendida por um garçom “old school” (ótima referência de Barcinski), o melhor que já vi.

O trabalho dele era cuidar da área onde estávamos, tarefa cumprida com uma espécie de sexto sentido para as necessidades dos convidados.

Ele sabia o que nós queríamos, antes de querermos. E tinha um nível de atenção espantoso. Se posicionava a uma distância regulamentar das mesas, mas percebia todos os movimentos. Se alguém levantasse a cabeça, ele se aproximava. Ninguém precisou chamá-lo.

Lembro de escolher uma entrada de salmão e prontamente ser servido de uma taça de vinho branco. Terminei, levantei e me servi de carne. Quando me sentava, ele chegou com uma taça de vinho tinto e perguntou se eu queria água com ou sem gás.

Após o jantar, durante a festa, ele garantiu que as bebidas de cada convidado daquelas mesas fossem continuamente renovadas, fazendo com que todos se sentissem muito bem atendidos.

Na hora de ir embora, fui até ele, perguntei seu nome e apertei sua mão.

Em qualquer atividade, é possível ser profissional e competente.


COMENDO EM LONDRES

09/06/2011

Estou para escrever este post desde que voltei.

Mas a experiência que vou relatar está tão viva que o atraso não prejudicará a descrição.

Tenho um amigo que estabeleceu, com o pai, uma “tradição” sensacional. Desde o ano passado, eles tiram uma semana de férias juntos e vão para a Europa ver a final da Liga dos Campeões.

Que tal?

São pessoas de quem eu gosto muito e por conta da presença deles, estabelecemos nossa tradição também, que é dar um jeito de jantarmos juntos pelo menos uma vez na semana do jogo.

Conseguimos fazer isso em Madri no ano passado e agora em Londres.

Dessa vez, eles fizeram a reserva no restaurante de carnes do Jamie Oliver, o Barbecoa.

Foi minha primeira vez numa casa do famosíssimo chef, um cara que aprendi a gostar de ver na televisão, pela forma apaixonada com que ele fala de comida.

O Barbecoa fica num prédio moderno, em frente à Catedral St. Paul’s. Dá para ver a igreja de dentro do restaurante. É um ambiente elegante, de bom gosto, um pouco mais escuro do que eu gostaria (não deixe de clicar nas várias fotos da galeria do site).

O restaurante tem dois andares. No de cima, um enorme salão tem mesas grandes, com sofás.

Direto aos pratos: quando vi DRY-AGED SIRLOIN STEAK no cardápio, minha busca terminou. O fato de ser uma peça de contra-filé, uma de minhas carnes preferidas, de quase meio quilo, foi um estímulo.

Meus amigos tiveram a mesma ideia. Como acompanhamentos, uma salada e dois cremes de espinafre.

A carne estava impecável. Pedi a minha ao ponto, mal precisei da faca para cortar. Um pedaço alto, rosa por dentro, crocante e suculento.

O creme de espinafre foi simplesmente o melhor que já experimentei. Com uma camada de farinha de pão por cima, na consistência exata. Me obrigará a voltar ao Barbecoa na próxima visita a Londres.

Tudo na companhia de um Chianti e, para meu amigo, cervejas do variadíssimo menu de bebidas do restaurante.

Infelizmente, a sobremesa ficou para uma próxima oportunidade.

Garanto que voltaremos.

Dois dias antes, junto com o pessoal da ESPN, jantei num ótimo restaurante grego chamado Lemonia. Assunto do próximo post.


COMENDO EM MADRI E BARCELONA

08/05/2011

Minha predileção por restaurantes argentinos elegeu, há anos, dois endereços imperdíveis na Espanha.

Lamento se este post causar frustração pelas poucas indicações da riquíssima culinária espanhola. A culpa é minha, da preferência por voltar a lugares dos quais gosto em vez de me arriscar com novidades.

Começarei falando do De Maria.

O local se apresenta como uma fusão gastronômica entre Argentina e Espanha, mas é basicamente uma casa de carnes.

As pessoas que vão ao De Maria estão à procura de carnes saborosas, acompanhamentos caprichados e vinho tinto. Pessoalmente, acho difícil encontrar combinação melhor.

Na recente viagem para acompanhar os clássicos entre Barcelona e Real Madrid, estivemos na capital por dois períodos de cerca de cinco dias.

Foram três visitas ao De Maria, todas excepcionais do couvert à sobremesa. Entre uma coisa e outra, minha opção foi sempre o ojo de bife com aspargos e alcachofras grelhadas.

Em Barcelona, não deixo de ir ao San Telmo. Outro argentino de carnes espetaculares, frequentemente visitado por Leo Messi.

Diferentemente do De Maria, que tem várias filiais em Madri, só há um San Telmo, próximo ao Parc de Montjuic.

Desculpe a repetição, mas ali o negócio é carne, um prato de legumes e verduras grelhadas, e vinho. Infelizmente só deu para ir uma vez.

Na Catalunha, fomos mais democráticos em nossos destinos para jantar.

Estivemos duas vezes no Port Olimpic, onde os restaurantes fecham por volta da 1 hora da manhã e são, às vezes, a única opção para quem trabalha até tarde. Frutos do mar em abundância e bons preços.

Levei meus colegas da ESPN para conhecer o Cuines Santa Caterina, lugar que impressiona pelo ambiente e pela comida.

Fica num antigo mercado, tem mesas comunitárias ou individuais e uma grande cozinha aberta. Na entrada, o bar oferece cervejas e vinhos em taças para acompanhar tapas e outros aperitivos.

O cardápio tem um pouco de tudo. Comida mediterrânea, oriental, grelhados, peixes e massas.

E por indicação do meu pai, o ponto alto da viagem foi o Botafumeiro. Tradicional, elegante, um dos mais famosos restaurantes da cidade.

Ali, frutos do mar alcançam outro nível. E o serviço é impecável.


BAIXA ROTAÇÃO

10/04/2011

Estive nas duas apresentações anteriores do U2 (Popmart em 98 e Vertigo em 2006) em São Paulo. O show de ontem, estreia da turnê  360°, foi o que menos me agradou.

Não me entenda mal. Gostei do show e pagarei ingresso para ver o U2 sempre que a banda vier ao Brasil. O problema é que depois de Popmart e, principalmente, Vertigo, saí arrepiado do Morumbi.

Ontem, não foi igual.

Metade da responsabilidade é minha. Comprei entradas de cadeira superior para mim e para minha mulher, o que prejudicou a parte sonora (obviamente a mais importante) da experiência.

Vimos os outros shows da pista, longe do palco. Você só vê bem os caras no telão, mas ouve com perfeição.

Nas cadeiras, é o contrário. A visão é privilegiada, em detrimento do som, que fica consideravelmente mais baixo e, como posso dizer?, “menos claro”.

Não tenho conhecimento de acústica para explicar por quê, mas suspeito que o concreto tenha algo a ver com isso.

Do meu ponto de vista (ou seria melhor dizer “ponto de audição”?), o show não foi arrebatador. Não deixou meus ouvidos apitando, não me arrepiou. Gosto do Bono como cantor, mas gosto mais do Edge como guitarrista. O som embaralhado, sem que se consiga identificar bem os instrumentos, foi meio frustrante.

Amigos que estavam na pista relataram um show totalmente diferente. Pelo menos, não tomamos chuva…

Culpa assumida, é hora de reclamar de uma de minhas bandas prediletas. Porque, ontem, faltou pegada ao U2.

Tocar a espetacular “Magnificent” uma marcha abaixo é inexplicável. Passei um tempo achando que era apenas uma introdução diferente, que logo ia explodir… e nada.

Tenho várias versões de “Magnificent”, ao vivo. Ao chegar em casa, me deu vontade de ouvi-las.

O curioso é que o show teve vários momentos de potência, como “I Will Follow”, “Beautiful Day”, “Elevation”, “Vertigo” e “Where The Streets Have no Name”. Fantásticas, inesquecíveis, como sempre.

Claro que é uma avaliação pessoal. Se eu pudesse determinar o setlist, as baladas ficariam fora. Não desgosto, apenas prefiro as outras. O que não me impede de ter achado muito bonita a versão de “Stuck in a Moment”, só com violão e voz.

O show também teve as tradicionais mensagens contra a pobreza e a favor dos direitos humanos, marcas de um cantor que não é mais só um cantor. Acredito que, se Bono não fizer mais isso, as pessoas acharão que é um impostor.

No final, bonita homenagem às crianças que morreram no massacre da escola no Rio de Janeiro, com os nomes exibidos no telão. Um momento de tristeza, necessário.

Energia legal, cerca de 100 mil pessoas no estádio, um espetáculo que sempre vale a pena. A questão é que já vi melhores.

Fiquei com a impressão de que foi um show “lento” (de novo: parte da culpa é minha). Algumas pessoas podem pensar que a idade está chegando para o U2, o que seria absolutamente natural.

Mas acho que não. Acho que foi opção.

Quando será a próxima turnê?


JOGANDO COM VIDAS

27/03/2011

“Jogo de Poder” é um filme sobre a maldade. O fato de contar uma história real piora as coisas.

Naomi Watts faz o papel de Valerie Plame, agente secreta da CIA que tem sua indentidade exposta por oficiais da administração Bush, depois que seu marido, o diplomata Joe Wilson (Sean Penn), escreve um artigo no “The New York Times” essencialmente chamando George W. Bush do que ele é: um mentiroso.

O vazamento criminoso, publicado por um colunista do jornal “The Washington Post” levou à condenação de Lewis “Scooter” Libby, crápula que serviu como chefe de gabinete do vice-presidente Dick Cheney, a 30 meses de prisão. Bush o livrou da cadeia, mas não do rótulo de canalha internacional.

Sobre o filme, o crítico André Barcinski escreveu o seguinte, na Folha de S. Paulo: “… qualquer filme com Naomi Watts e Sean Penn merece ser visto”. De total acordo.

Watts exala a tensão inimaginável que permeia os dias de quem mente por profissão, e ainda tem de lidar com o reflexo da atividade secreta em sua vida pessoal.

Penn (incrivelmente parecido com Dustin Hoffman) ministra mais uma clínica de interpretação, na pele do ex-embaixador democrata agarrado a convicções e princípios em alto risco de extinção.

Ambos estão ótimos na simplíssima, mas emocionante, cena em que ele se desculpa por ter iniciado o processo que a fez perder “tudo o que era”, e ela diz que é “o que está na frente dele”.

Baseado nos livros que Plame e Wilson escreveram sobre o episódio que alterou suas vidas, o filme é dirigido por Doug Liman, de “Identidade Bourne” e “Sr. e Sra. Smith”.

DISCLAIMER: Liman também foi um dos produtores de “Ultimato Bourne”, que considero o melhor filme de ação que já vi. Portanto assumo, sem nenhum constrangimento, minha parcialidade ao tratar do tema.

As passagens sobre a rotina de uma agente da CIA ficam ainda mais interessantes quando lembramos de que se trata de um caso real. Ficam, também, mais preocupantes.

A história de como políticos inescrupulosos, ajudados por jornalistas tanto quanto, destroem pessoas e famílias, é uma amostra pequena de uma barbaridade: a operação militar americana no Iraque, baseada na mentira de que lá havia armas de destruição em massa.

“Jogo de Poder” cumpre seu papel com brilho.


E AGORA ESSA…

20/03/2011

Reproduzo abaixo a reportagem mais completa sobre a nova onda de assaltos em São Paulo – a restaurantes.

Da Veja São Paulo:

RESTAURANTES PAULISTANOS REFORÇAM VIGILÂNCIA PARA COMBATER QUADRILHAS

“Ninguém nunca rouba restaurante”, diz o bandido Pumpkin logo no início do filme “Pulp Fiction”, de Quentin Tarantino. Ele e Honey Bunny, sua namorada, estão em uma lanchonete falando sobre lugares que poderiam assaltar. Pensam em bancos, lojas, postos de gasolina… Passados alguns instantes de conversa, decidem começar um roubo ali mesmo. Arma em punho, Pumpkin sobe no banco e anuncia aos demais fregueses: “Todo mundo calmo, isto é um assalto!”.

O filme é de 1994, mas a cena tem sido reprisada em restaurantes de São Paulo. Desde 12 de fevereiro, ao menos vinte casas foram invadidas por homens armados. Os criminosos rendem manobristas, clientes e funcionários e iniciam um arrastão. Coletam bolsas, carteiras, celulares, relógios, computadores e o que houver de dinheiro no caixa. Depois, entram num carro, normalmente estacionado na porta, e desaparecem. Quando a polícia chega, cerca de quinze minutos após a fuga, não há muito a fazer a não ser orientar as vítimas a registrar boletins de ocorrência. Até a tarde de quinta passada (17), os criminosos haviam escapado de todas as investidas e nenhum objeto fora recuperado.

Endereços em Pinheiros e na Vila Madalena, na Zona Oeste, foram cenário em 62% das vezes, embora existam casos registrados em Moema, Ipiranga, Vila Nova Conceição e Jardim Paulista. “É duro dizer, mas a falta de patrulhamento facilita as ações”, afirma o delegado Ricardo Cestari, do 14º DP, de Pinheiros. Um dos crimes ocorreu na rua da delegacia e outros dois a poucos quarteirões dali. Na Vila Madalena, nem mesmo os caminhos curvos e cheios de semáforos intimidaram os bandidos. “Não existe rota de fuga no bairro. Eles arriscam porque acham que não serão pegos. E, de fato, ainda não foram”, disse Cestari na semana passada.

Segundo os investigadores, trata-se de um crime que não rende quantias altas, já que o uso frequente de cartões de débito e crédito baixou a quantidade de dinheiro nas carteiras e nos caixas, mas oferece lucro rápido. As ações duram menos de dez minutos. Na última segunda-feira (14), um minuto e 45 segundos foram suficientes para que fizessem o “rapa”, como se diz no jargão policial, no Galeto’s da Alameda Santos, a um quarteirão da movimentada Avenida Paulista.

Uma vez que os assaltos seguem um padrão, a polícia acredita que a mesma quadrilha esteja por trás de boa parte dos casos. Na maioria deles, jovens aparentando entre 20 e 30 anos entram de cara limpa no estabelecimento, sem máscara nem capuz. Não se preocupam nem em esconder tatuagens, o que pode facilitar seu reconhecimento. Quando chegam ao salão, sacam as armas e anunciam em voz alta o que está prestes a acontecer. “Aí, todo mundo na moral, tá rolando um assalto”, disseram no Rothko. “Não quero ninguém dando trabalho, carteira e celular em cima da mesa, agiliza aí”, foi a fala no Suri. “Alguém é polícia ou tá armado?”, perguntaram no Pita Kebab.

Pegos de surpresa, os clientes demoram alguns instantes para entender o que está acontecendo. “Uma hora você está comendo e em seguida tem um cara apontando uma pistola e mandando você entregar suas coisas”, diz a administradora Bruna* (os nomes acompanhados de asterisco foram trocados), roubada no Tanuki. “Tive a sensação de estarmos brincando de estátua, em que alguém grita ‘estátua’ e ninguém mais pode se mexer”, afirma. Antes que os criminosos saíssem, ela e o namorado tiveram de caminhar até os fundos do restaurante para não testemunhar a escapada. “Achei que levaria um tiro.”

No Matsuya, na Aclimação, as vítimas foram orientadas a se deitar no chão. Em pé no caixa, digitando a senha do cartão, um homem teve uma arma apontada para a cabeça antes que entregasse o relógio. No Totò, na Vila Nova Conceição, o dinheiro do restaurante permaneceu intacto. “Acho que nem viram o caixa, fica meio escondido”, diz o funcionário Tarcísio*.

Há relatos até de “gentilezas” dos bandidos. Uma cliente do Divina Itália, na Vila Madalena, pediu ao assaltante que lhe devolvesse a bolsa e levasse apenas o dinheiro, e foi atendida. Outro pediu desculpas enquanto roubava o La Buca Romana, em Pinheiros, justificando ser aquela a sua maneira de obter sustento. Em ao menos duas ações, veículos foram levados, um de um funcionário, outro de um frequentador. A constante troca de carros utilizados tem dificultado a investigação.

Embora esses criminosos não tenham matado nem ferido as vítimas nos casos ocorridos até agora, houve quem levasse pontapés e coronhadas. Gabriel Broide, sócio e chef do Dois Cozinha Contemporânea, recebeu chutes quando informou que havia apenas 80 reais no caixa. “Pensei: será que vou morrer agora?”, lembra ele, que teve de se deitar no chão.

No Galeto’s, a psicóloga Claudia Pinto foi golpeada por insistir em cantar um hino religioso. Seu colega Caio Rinaldi também passou momentos de aflição. “Cismaram que eu era policial e me revistaram para ver se eu estava armado”, conta. Ambos faziam parte de um grupo de funcionários de O Boticário que estavam pouco antes em um evento no Hotel Renaissance. Participavam do lançamento de uma nova marca da empresa. Após o expediente, resolveram espairecer e tomar um chope no restaurante vizinho. Com o inesperado assalto, só chegaram em casa às 5 horas da manhã, após quatro horas aguardando na delegacia para registrar a ocorrência.

Para especialistas, a onda de arrastões segue a lógica das recentes estatísticas de crimes em São Paulo. Na última década, houve queda de 80% nos homicídios. Por outro lado, o número de crimes contra o patrimônio se manteve alto. “Nestes casos, poucas pessoas foram agredidas e ninguém foi baleado”, disse Denis Mizne, fundador do Instituto Sou da Paz, na quarta-feira.

“Houve apenas perda material, não de vida. Não há motivo para o paulistano deixar de sair à noite”, afirmou, acrescentando que é preciso que a polícia responda adequadamente. Segundo o tenente Cleodato Moisés do Nascimento, porta-voz de patrulhamento da Polícia Militar na Vila Madalena e imediações, a ronda foi reorganizada para priorizar a segurança dos restaurantes.

Nas noites de segunda e terça-feira passadas, a reportagem de VEJA SÃO PAULO circulou por Pinheiros, Vila Madalena e Jardins. Bares e restaurantes estavam cheios de clientes. “Apesar do ocorrido, o movimento continua o mesmo”, diz Antônio Carlos Garcia, dono do La Trattoria. Muitos frequentadores não sabiam dos recentes assaltos. Outros, como a tradutora Juliana Leme da Costa, pareciam não se intimidar. Na terça, ela fumava tranquilamente um cigarro na calçada com duas amigas em frente a um restaurante japonês na Vila Madalena. “Não vou deixar de sair por causa disso.”

Viaturas passavam nas ruas e policiais abordavam veículos na Rua Oscar Freire, onde, na sexta-feira anterior, o La Buca Romana fora alvo da bandidagem. Membros da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) de São Paulo reuniram-se na semana passada para discutir a questão. “Não entendemos por que escolheram assaltar esse tipo de estabelecimento”, comenta Ricardo Bartoli, presidente da entidade. “Levam pouco dinheiro e se arriscam muito. Acredito que os crimes não devam continuar por muito tempo.”

Algumas casas já tomaram providências por conta própria para reforçar a segurança. Astor, Pirajá e Le Jazz, localizados na Vila Madalena e em Pinheiros, não foram assaltados, mas contrataram um vigia extra por precaução. Comerciantes das ruas Antônio Bicudo e Deputado Lacerda Franco, onde fica a delegacia da região, cogitam se unir para contratar homens que monitorem as duas vias. “Desde o assalto, estamos trabalhando a portas fechadas, algo que nunca ocorreu em mais de trinta anos de funcionamento”, afirma Garcia, do La Trattoria. “Quero comprar câmeras de monitoramento.”

Em “Pulp Fiction”, Pumpkin e Honey Bunny acabam rendidos por um dos clientes. No roteiro paulistano, porém, os bandidos têm levado a melhor. Até quinta-feira passada (17), havia apenas o retrato falado de um dos suspeitos e nenhuma prisão. A torcida da plateia de frequentadores e donos de restaurantes é para que o final feliz chegue depressa e todos possam voltar a desfrutar sem sustos a gastronomia da cidade.

“Comecei a cantar para Ogum me dar forças e levei uma coronhada na cabeça”
Olhei para trás e vi o garçom rendido no chão. Sou espírita umbandista e a primeira coisa que me veio à cabeça foi a vontade de entoar um hino. Comecei a cantar para Ogum, orixá guerreiro, identificado com São Jorge, para que me desse forças para enfrentar aquela situação. Fiquei olhando para um dos bandidos e repetindo os versos “Ogum Dilê / é Tata Mariô”. Ele me mandou ficar quieta. Não obedeci e levei uma coronhada do lado esquerdo da cabeça. Aí ele colocou a mão na correntinha do meu pescoço. Eu disse que era um objeto espiritual e que ele deveria deixá-lo comigo. Nessa hora, outro assaltante mandou a gangue se apressar para a fuga. O bandido então puxou a correntinha e arrebentou-a. Depois que a adrenalina passou, chorei muito, não de tristeza, mas de raiva. Levei bronca do meu marido por ter sido tão impulsiva, mas é muito injusto ser roubada assim. Para completar, demorou quatro horas até conseguirmos fazer o boletim de ocorrência. A delegacia mais próxima estava sem sistema e tivemos de ir para outra. Não havia nem banheiro decente que pudéssemos usar.

Claudia Pinto, psicóloga, que estava no Galeto’s do Jardim Paulistano às 23h58 do dia 14 de março

“’Mata ele’, disse o assaltante a um comparsa”
Já havíamos pedido a conta quando três homens, de jeans e camisa, entraram no restaurante. Era 1 da manhã, o local estava vazio, não havia nem dez pessoas. Estávamos distraídos, conversando, quando chegaram o café e um cara armado. Achei que fosse brincadeira. Eles mandaram todo mundo colocar joias, carteiras e celulares sobre as mesas. Eu tinha chegado de uma viagem ao exterior e estava com 500 dólares na bolsa. Levaram documentos, meus anéis de prata, a aliança da minha prima, o iPod e o iPhone dela… Um dos clientes ficou olhando fixamente para um dos assaltantes, que falou: “Mata ele, senão ele vai nos reconhecer”. Nenhum deles tinha máscara ou gorro. Foi o momento mais tenso. Depois, despregaram a TV de plasma de 40 polegadas e saíram carregando, na maior tranquilidade. O bar vizinho estava lotado e mesmo assim ninguém nos viu nem ouviu quando gritamos que anotassem a placa do carro que os esperava para a fuga. Depois que partiram, fomos à delegacia, que fica na mesma rua, a apenas 200 metros do local do assalto.

Luciana, jornalista, que estava no Kioku, em Pinheiros, à 1 hora do dia 13 de fevereiro

“Escondi o celular na calça. Se tocasse, eu estaria morto”
Eu e minha namorada estávamos jantando quando vi um cara entrando com um negócio prateado na mão. “Isto aqui é um assalto”, ele falou, e apontou a arma para todos ao redor. Mandou-nos colocar dinheiro e celular sobre a mesa. Outro cara chegou e perguntou se alguém era policial ou estava armado. Por sorte, ninguém. Num momento em que eles se viraram, aproveitei para esconder o celular na parte de trás da minha calça. Não sei por que fiz isso, errei. Na hora pensei que não podia perder contatos importantes que estavam salvos ali. Só que não consegui desligar o telefone. Se tocasse, eu estaria morto, quase vomitei de nervoso. Levaram as bolsas com documentos e contas a pagar, com o endereço das pessoas. Depois foram até o caixa. A funcionária teve dificuldade para abri-lo e um deles, mais impaciente, disse: “Dá logo um tiro nela”. Por sorte, foram embora sem encostar em ninguém. Nenhum dos clientes tinha como pagar a conta. Da próxima vez que eu for lá, vou pedir para incluírem a minha despesa daquele dia.

Thiago, músico, que estava no Pita Kebab, em Pinheiros, às 22h30 do dia 8 de março

“Gastei 5.000 reais e agora o restaurante tem sistema de alarme e cinco câmeras”
No dia do assalto, acordei às 4h30. Fui um dos primeiros a chegar ao Mercado Municipal, na Cantareira. Faço questão de servir o peixe mais fresco aos meus clientes. Como tenho um restaurante pequeno, conheço vários fregueses pelo nome. Por isso, senti muita revolta quando vi o arrastão e não pude fazer nada para impedir. Eram 22h40 da Quarta-Feira de Cinzas. Eu estava na copa com alguns funcionários. Só percebi o que estava acontecendo quando um homem armado entrou ali e nos mandou ficar deitados no chão. Ninguém merece passar por isso. Muito menos quem paga impostos em dia. No dia seguinte, eu estava muito desanimado. Achei que os clientes não iriam aparecer. Mas a casa lotou e isso me deu forças. Também recebi muitos e-mails e telefonemas de apoio. Desde o assalto, o número de fregueses não diminuiu. Mesmo assim, fiz questão de contratar uma empresa de segurança. Gastei 5.000 reais e agora o restaurante tem sistema de alarme e cinco câmeras. Captamos imagens do salão, do 2º andar, da calçada e do fundo do terreno. É vigilância até demais.

Kléber, dono do restaurante Tanuki, na Vila Madalena, sobre o assalto que presenciou às 22h45 do dia 9 de março

“Levaram garrafas de vinho e uísque e as bolsas do pessoal da cozinha”
Eram cinco homens. Dois deles entraram e foram direto para o caixa. Os outros abordaram as mesas. Talvez os bandidos soubessem que era dia de pagamento. Havia cerca de 4.000 reais em dinheiro. Além disso, um dos clientes carregava outros 3.000 reais para pagar um empregado. Levaram tudo. Pegaram ainda celulares e carteiras de todo mundo e até as bolsas do pessoal da cozinha. Saíram carregando umas seis garrafas, algumas de vinho, outras de uísque. Uma hora, um cliente tentou esconder a mochila com notebook, arrastando-a para baixo da mesa. Quando os assaltantes perceberam, foram para cima dele e deram-lhe uma coronhada. O grupo foi agressivo com algumas pessoas que demoravam a entregar os pertences, mas saiu sem machucar mais ninguém. A ação durou cinco minutos. Havia um carro esperando, parecia um Corsa.

Fernando, publicitário, que estava no Rothko, na Vila Madalena, às 21h45 do dia 23 de fevereiro

“Não ficarei presa em casa enquanto eles estão soltos”
Soube dos assaltos pelos jornais. Li que mais de cinco estabelecimentos da região passaram por arrastões. Sei que a situação é séria, mas não vou deixar de sair por causa disso. Adoro a Vila Madalena e estou sempre por aqui.

Pelo menos uma vez por semana eu venho para algum restaurante ou barzinho. Fico preocupada, sim, claro. Porém, quem mora em São Paulo está sempre com medo. No shopping, no trânsito, na rua… Por isso eu tomo bastante cuidado. Estaciono próximo do restaurante, nunca ando sozinha nem trago a minha bolsa, apenas cartão de crédito e celular. Pretendo continuar saindo. Não vou ficar presa em casa enquanto os bandidos estão soltos.

Juliana Leme da Costa, tradutora, habituée da Vila Madalena

Se acontecer com você
■ A principal recomendação é não reagir. Não tente fugir nem discutir com os assaltantes.

■ Entregue tudo o que eles pedirem. Não vale a pena arriscar sua vida para esconder chaves, celular ou joias.

■ Procure não encarar os assaltantes. Caso observe algum detalhe, como uma tatuagem, comunique-o depois aos policiais. Isso pode ajudar a encontrar os suspeitos.

■ Se a polícia o intimar a depor, colabore. Suas informações podem ser determinantes para a investigação.

■ Faça sempre boletim de ocorrência. O registro é necessário para pedir a segunda via de documentos e fundamental para o trabalho policial. Ele também alimenta a base de dados da polícia. Sem isso, é difícil quantificar e ter a dimensão desse tipo de crime.

■ Cada celular tem uma espécie de chassi chamado imei, registrado na caixa do aparelho ou obtido com a operadora. Guarde esse número em local seguro. Por meio dele, a polícia pode rastrear um telefone roubado e tentar encontrar os bandidos.

■ Tenha à mão o telefone do seu banco para sustar cartões de crédito e talões de cheque. Lembre-se de anotar esse número em algum lugar além de seu celular, já que este também pode ser roubado.

Fontes: Polícia Militar, Polícia Civil e Instituto Sou da Paz


3 EM 1

12/03/2011

Três visitas reunidas num único post:

E um belo dia, minha mulher me lembrou: “faz tempo que não vamos ao Gero…”

Antes que ela completasse a frase, eu já tinha concordado.

A grande questão em relação ao Gero é que a experiência é completa. Ótimo ambiente, ótima comida, ótimo serviço.

A chance de decepção ali é apenas uma: talvez você ache que as porções são pequenas. Opinião de amigos, nunca foi a minha.

Direto aos pratos. Para minha mulher: cotoletta de vitela à milanesa com salada de rúcula.

Para mim: costeletas de cordeiro grelhadas com ravióli.

Sobremesa: profiteroles com sorvete de gianduia.

Vinho: um Barbera D’Asti.

Tudo delicioso. Vale lembrar que o couvert do Gero merece atenção especial. Pão crocante, quente, manteiga e uma pasta de tomate seco que é sempre elogiada.

O que não se pode fazer é ficar tanto tempo sem ir lá.

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O Piselli é um dos primeiros “dissidentes” do Gero.

O restaurante divide opiniões. De minha parte, sempre fui para casa satisfeito. Foi o que aconteceu recentemente.

Só não me peça para discorrer sobre as várias opções do cardápio, porque tenho um prato favorito que repito sem cansar.

Costela de cordeiro (percebeu um padrão?) com nhoque. Recomendo a quem, por acaso, não tenha se dado bem com outras escolhas.

Minha mulher pediu um ravióli de brie com pera. Gostou muito.

Duas sobremesas: torta de maçã com sorvete de creme, para ela. Sorvete de gianduia (olha o padrão) para mim.

O vinho foi outro barbera, mas por pura coincidência.

O serviço do Piselli também é atencioso na medida certa, daquele jeito que basta você levantar a cabeça que alguém se aproxima. Faz a gente voltar.

Detalhe: chegamos por volta das 11 da noite e tivemos de esperar uns 20 minutos.

Isso é sinal de sucesso.

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A filial do Le Vin Bistro da Praça Vilaboim, em Higienópolis, serve uma sugestão do chef aos sábados que vale muito a pena: arroz com polvo com salada de rúcula.

O polvo vem grelhado no ponto certo, em porção generosa. Um pouco de azeite cai otimamente bem.

O Le Vin também tem ótimas opções de vinho em taça, como o bourgogne branco que pedimos.

Aconteça o que acontecer, não deixe de experimentar o profiterole com sorvete de creme. É um dos melhores da cidade.


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