O grande mérito de “Margin Call – O Dia Antes do Fim” é prender o espectador exclusivamente com os diálogos e interações entre personagens.
Não há cenas violentas (e aqui não falo da violência cretina, tipo John Rambo e sua faca aniquilando o exército russo inteiro. “Pulp Fiction”, por exemplo, tem sequências extremamente violentas que não agridem os neurônios do público), não há sexo evidente ou sugerido, não há um personagem que seja muito mais interessante do que os outros, não há conteúdo dramático – a não ser o que fica bem claro logo no início.
Um analista financeiro júnior (Zachary Quinto) recebe um pen drive de seu chefe (Stanley Tucci), que tinha acabado de ser demitido de um fundo de investimentos. Ao investigar os arquivos, o rapaz basicamente descobre que a empresa está quebrada, e que, em breve, todo o mercado financeiro americano estará no buraco.
A informação vai subindo na cadeia de comando, com as diferentes reações dos executivos, as transferências de responsabilidades e as tentativas de maquiar a verdade.
O filme inteiro se passa do momento em que o executivo é demitido até a manhã seguinte, período no qual o mercado está fechado e a empresa deve se preparar para começar o dia seguinte de forma a sobreviver.
É tenso até nos momentos em que deveria ser leve, quase sempre quando Will Emerson (executivo senior, com senso de humor britânico e uma queda para a irresponsabilidade, interpretado por Paul Bettany) está em cena, tentando convencer a garotada mais jovem de que tudo o que está acontecendo – a gigantesca crise do mercado imobiliário nos EUA – é normal.
John Tuld (Jeremy Irons) é o dono, Jared Cohen (Simon Baker) é o sócio que quer jogar toda a sujeira para debaixo do tapete, Sam Rogers (Kevin Spacey) é o funcionário antigo que enfrenta dramas de consciência e Sarah Robertson (Demi Moore) sabe que será a próxima a cair.
Os diálogos são intensos, mostram como os diferentes perfis pessoais (educação, formação, experiência e princípios éticos) levam a variadas formas de pensar e agir diante de um cenário potencialmente devastador.
No final, há uma clara mensagem sobre ganância, óbvio.
Mas, como disse lá em cima, o mérito de “Margin Call” fica com quem escreveu as falas.
Me parece que é o primeiro trabalho desse nível do diretor J. C. Chandor. Se alguém souber mais sobre ele, por favor avise.
Escrito por andrekfouri 