MAIS UM BRINQUEDO

27/01/2010

Se você possui um laptop e um smartphone, acha que existe espaço para algo que fique no meio do caminho entre um e outro?

Bem, as pessoas que criaram alguns dos mais sensacionais aparelhos eletrônicos que existem acham que sim.

E após muito mistério, eis que o próximo brinquedo que você tem de ter foi lançado nos Estados Unidos.

Por que estou tratando dele?

Porque eu estava pensando em comprar um Kindle e entrar na onda dos livros eletrônicos.

Obviamente, não mais.

Não sei se o iPad fará pela indústria das publicações o que o iPod fez pela indústria da música, como se anuncia.

Mas o barulho será grande.

Anúncios

17 MINUTOS SEM RESPIRAR

22/01/2010

Tenho (quase) certeza de que você já ouviu falar de David Blaine.

Eu acompanho as loucuras desse cara há um bom tempo, desde aqueles vídeos em que ele assustava as pessoas com truques nas ruas.

Nos últimos anos, Blaine passou a investir no impossível. Tipo ser enterrado vivo, congelado, baixar a frequência cardíaca para 12 batimentos por minuto, essas coisinhas.

Sim, eu também acho que, cedo ou tarde, alguém pode provar que todas essas loucuras não passaram de enganações muito bem produzidas.

Será uma pena. Espero que nunca aconteça.

Mas, até lá, ouvir o cara falar por 20 minutos (atenção!! conteúdo EM INGLÊS) é realmente interessante.

É só clicar (quando você tiver 20 minutos disponíveis, claro) aqui.


O ESPERTO COM FOME

19/01/2010

Em férias com minha família, num reino muuuuuito distante, presenciei uma cena típica da “malandragem” sem vergonha que nos aflige.

O “malandro”, no caso, deu-se mal. Mas talvez não esteja convencido disso.

A espera no restaurante italiano era longa, no mínimo meia hora. Afinal, é um dos lugares do reino em que se encontra algo diferente de nuggets, cheeseburguers ou pizzas (nada contra, mas a repetição é complicada, e crianças precisam se alimentar bem).

Enquanto destruo um ótimo filé de frango à parmegiana, uma família inteira (pai, mãe, avó e duas crianças) passa por nossa mesa, apressada. Ouve-se a Língua Portuguesa.

O pai comanda as ações: “vamos, vamos, senta rápido!”. Eles tentam se acomodar numa mesa em que apenas 4 pessoas conseguiriam comer com um mínimo de conforto. E o pai dá a última ordem, à filha mais velha: “agora vai lá e entrega esse negócio para a mulher lá da entrada”.

O “negócio” é o aparelho (daqueles que vibram e acendem luzes) redondo que avisa aos clientes que a mesa está pronta. E a “mulher lá da entrada” é a pessoa que comanda a lista de espera do restaurante.

No momento em que a menina volta, a cena não precisa de legenda para ser perfeitamente compreendida: a família que se espreme numa mesa que não pode ser dela, tentou “chapelar” a fila.

Típico.

Os garçons olham e comentam. As mesas vizinhas fazem uma pausa nas conversas para ver  o que acontecerá. O mentor intelectual da operação sorri, achando-se dono de uma inteligência incomum.

Eis que a “mulher lá da entrada” aparece para explicar, educadamente, que aquela mesa é de outra família, que o tempo de espera do malandro e cia. ainda não terminou. Mas ele (acha que) tem um trunfo.

“Se você fez uma confusão, não é problema meu. Essa mesa é minha”.

A moça responde que não fez confusão alguma, que eles entraram sem ordem de ninguém. E que precisam voltar para a área de espera.

O iluminado levanta a voz: “Se eu tiver de voltar, não vou ficar aqui”.

A expressão da moça é o sinal universal de “paciência, não posso fazer nada”, em todas as línguas.

A mulher do esperto, provavelmente preocupada com o horário e a fome de todos ali, apela ao bom senso.

Mas onde não há educação é difícil encontrar bom senso.

O malandro comanda a retirada, cabisbaixa, da família.

A noite termina com nuggets, cheeseburguers ou pizzas.


RICO JUAN

13/01/2010

Já perdi a conta de quantas vezes estive no Pobre Juan, casa de “carnes argentinas” que se tornou um de meus destinos favoritos em São Paulo.

Sempre, e quero dizer sempre, faço o mesmo pedido: o bife pobre Juan. Não posso falar sobre outros pratos porque nunca experimentei. E provavelmente nunca experimentarei.

As “parrillas” são famosas em São Paulo. Oferecem um tipo de carne diferente daquele que se encontra nas churrascarias tradicionais. Conheço muitas e quase todas são ótimas.

Mas nunca comi, em nenhum outro lugar, algo melhor do que o citado bife pobre juan. Trata-se de um corte do contra filé, a capa do chamado bife ancho que, se não estou enganado, na Argentina tem o nome de “cejas”.

Para que seja desgustado no seu esplendor, tudo precisa estar no ponto: o pedaço de carne, o talento e a inspiração do cara que comanda a parrilla, e a sua quantidade de fome (o restaurante oferece dois tamanhos do bife).

Se tudo der certo, dá para cortar com a colher, de tão macio.

Anteontem à noite, mais uma vez, demos sorte. Estava absurdamente bom.


UM JOELHO RUIM

08/01/2010

Eu sei que a ideia é não escrever sobre esportes aqui.

Mas é que 1) vocês vão entender minha intenção, e 2) tudo está interligado.

Como já respondi no espaço de comentários, uma das razões que me fazem correr é poder comer o que gosto, na quantidade que quero.

Lógico que antes disso tem a importância de cuidar da saúde, evitar problemas no futuro, captar todos os benefícios de uma vida ativa.

Tem também o aspecto “terapêutico” de uma atividade física primordialmente solitária, que obriga o corredor a travar longas conversas com a própria consciência, processo que resulta na solução de probleminhas cotidianos e, muitas vezes, em boas ideias.

A tal oxigenação do cérebro é capaz de nos surpreender.

E mesmo que aquele momento sirva apenas para colocar a cabeça no “piloto automático”, já vale a pena.

Eu corro há cerca de dez anos, nunca busquei orientação profissional (sem contar o que li por puro interesse no tema) e nunca tive nenhum problema médico decorrente da prática do esporte.

Faço um check-up anual, no qual incluo um teste de esforço para saber se o coração vai bem, e é isso.

Musculação preventiva? Para quê, se nunca senti nada nas articulações, ou nas costas? Fora que o ambiente de academia, definitivamente, não é para mim.

Teimosia pura, insistência no erro, burrice, chame do que quiser. Era evidente que, um dia, algo aconteceria.

Não sei quando, como ou por quê. O fato é que há uns cinco meses, meu joelho direito “enferrujou”. Parecia uma engrenagem sem lubrificação, velha, condenada a ser substituída por algo mais moderno e mais eficiente. Que bom seria…

Não vou chateá-los com o padrão da dor que eu sentia, ou como foram as consultas médicas. A preocupação central, mais grave a cada semana, era que eu estivesse prestes a aumentar a estatística das “pessoas que não podem correr por causa dos joelhos”.

O que teria forte, e indesejado, impacto nos meus hábitos alimentares.

Felizmente, não tenho tendência a engordar. Creio que herdei da família de meu pai um tipo físico longilíneo (1,86m, 75 kg), típico daqueles caras que podem usar o mesmo terno por 40 anos. Mas é claro que uma dieta irresponsável pode estragar tudo.

O que acontece comigo é uma “expansão da linha de cintura”. Algo esteticamente ridículo, que me incomoda demais.

Sofro com essa transformação em coberturas internacionais mais longas, em que as longas horas de trabalho impedem que se coma/durma bem. Não há tempo para exercício e, se houvesse, não seria muito vantajoso por causa do excesso de pizza e do pouco descanso.

Nessas situações, desenvolvi uma tendência a ligar o botão do “dane-se” e deixar de me importar com o que como. Tipo “não estou conseguindo correr mesmo, por que dizer não ao sexto donut do dia?”

Adotar essa regra para qualquer momento em que não posso me exercitar foi, naturalmente, um pulo.

Durante os quase dois meses (e 20 sessões de fisioterapia) em que fiquei parado, comi como um psicopata. Some-se a isso a dúvida se voltaria a correr como antes, e mais maionese, por favor.

Terrível.

Mas este post é para comemorar o fato de que, liberado para começar o longo caminho de volta, estou correndo sem dor há duas semanas. Ainda tenho muito trabalho pela frente, mas a sensação é ótima.

Tão importante quanto, minhas refeições estão mais inteligentes e mais saborosas.


NÃO, OBRIGADO

03/01/2010

Rogério Fasano é o nome mais importante da gastronomia brasileira.

É praticamente impossível comer mal, ou ser mal atendido, num restaurante dele.

Em interessante entrevista (um aperitivo: “se um dia eu tiver de fazer espumas, como aqueles europeus, vou me sentir um derrotado.”) às páginas amarelas da revista Veja, Fasano leciona este blogueiro (tenho certeza de que não sou o único) sobre o couvert:

Mas um couvert no Fasano custa 27 reais e é só um pãozinho com manteiga. O que justifica esse preço?

Isso é uma coisa que eu gostaria de esclarecer, porque ninguém no Brasil sabe o que é couvert. A palavra francesa vem do italiano coperto, que quer dizer, literalmente, “cobertura”. É aquilo que o restaurante cobra para garantir a reposição do que ele considera importante oferecer ao cliente. No meu caso, o copo de cristal Riedel que custa 30 dólares e que cedo ou tarde vai se quebrar, a porcelana importada, a toalha de linho egípcio etc.

Mas isso já não está embutido nos preços do cardápio?

Não, o que está no preço da comida é o custo da comida. Couvert é diferente. É o valor cobrado para que o restaurante mantenha sempre a categoria do material oferecido. E esse valor vai depender se os talheres são de prata de lei ou de inox, se o guardanapo mede 60 por 60 centímetros ou 20 por 20 centímetros. Couvert não tem nada a ver com pão de queijo, manteiga, parmesão… Por isso é um erro essa recomendação que certa crítica gastronômica instituiu no Brasil: a de não pedir couvert. É um absurdo. Na Itália, não existe “não pedir couvert”. Se você não quiser comer grissini, não come, mas o coperto está lá e custa, sei lá, 10 euros. E vem só grissini, nem manteiga vem, porque italiano come três pratos e é contra empurrar antes para o cliente uma porção de coisas que só vão desvalorizar a comida a ser servida.

______

Duas coisas: primeiro, obrigado. Eu realmente não fazia idéia de que o couvert era uma espécie de manutenção daquilo que o restaurante oferece ao cliente, além da comida.

Mas algo me deixou curioso. Há restaurantes que também cobram caro pelo couvert, mas oferecem muito mais do que “um pãozinho com manteiga”. Dois exemplos são o Antiquarius e o Vecchio Torino, onde também se come maravilhosamente bem, começando pelo que chega à mesa antes do cardápio. E onde, muito provavelmente, os copos também são de cristal e a porcelana também é importada. Ok, talvez a toalha não seja de linho egípcio…

Não estou discutindo o preço, ou a fartura, do couvert. E sim a liberdade do cliente de aceitar ou não.


%d blogueiros gostam disto: