O RANKING DA COSTELETA

23/03/2010

Há dois restaurantes em São Paulo que são meus favoritos para “datas especiais”.

Um é o Vecchio Torino, o outro é o Antiquarius.

O primeiro é um italiano (óbvio, com esse nome não seria japonês) espetacular, onde tudo é delicioso, serviço impecável, ambiente agradabilíssimo, enfim, o pacote completo.

Mas como sou um tanto metódico, e volto aos lugares já sabendo o que vou pedir (na verdade, na grande maioria das vezes, volto por causa de determinado prato), quase sempre como a mesma coisa.

Numa recente comemoração familiar, resolvi inovar.

Sou viciado em costeletas de cordeiro. Se leio o cardápio de um restaurante, seja onde for, e vejo as tais costeletas, tenho sérias dificuldades para pedir outra coisa.

Na penúltima vez que estive no Vecchio, deixei passar porque já tinha combinado com minha mulher que pediríamos o fabuloso gnocchi fontina.

Mas na última, nem toquei no cardápio. Originalmente, o prato vem com um risoto trufado, que eu troquei (perdão, não me apaixonei pela iguaria) por uma massa.

Estava ótimo, mas não assumiu o topo do meu ranking particular.

Menções (muito) honrosas, não necessariamente nessa ordem: Vecchio Torino, Fogo de Chão, Vinheria Percussi, Vicolo Nostro e Piselli. Em breve, a do Rubayat deve entrar na lista.

A melhor costeleta de cordeiro de São Paulo, do Brasil, e provavelmente do mundo, é a do Due Cuochi.

São uruguaias, macias, suculentas e não têm um mísero sinal de gordura, o que é o grande diferencial.

A propósito: o vinho que acompanhou o jantar no Vecchio Torino (que felizmente não caiu na minha conta) foi um tinto italiano: Michele Chiarlo Barbera D’Asti Superiore. Uma beleza.

Na próxima visita, outra inovação: o penne ao pesto, outro vício, que nunca pedi lá por achar trivial demais.

Fica para outro post.

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LIVRAÇO

11/03/2010

“The GM: A Football Life, a Final Season and a Last Laugh” é um dos melhores livros sobre esportes que já li.

Se não for o melhor.

Toda vez que alguém me pergunta o que eu gostaria de fazer na vida se não fosse jornalista, a reposta sai rápido: executivo de um time.

É óbvio que minha formação teria de ser outra, as carreiras são completamente diferentes. E hoje, quem trabalha nessa função é gente que poderia trabalhar em qualquer outro mercado.

E eu teria de mudar de país.

Não estou falando do Brasil, onde “gerentes remunerados”, “vice-presidentes de futebol”, “diretores de futebol”, seja qual for a nomenclatura, ou são amadores ou trabalham numa estrutura amadora.

Ou os dois.

Nos Estados Unidos, o “general manager” (gerente-geral) é o cara que está acima do técnico e abaixo do dono do time. É ele quem monta o elenco, contrata e dispensa, administra a folha salarial, os egos e os objetivos de clubes que são empresas e que precisam dar resultados esportivos e financeiros.

Na NFL, a pessoa que moldou esse cargo é um cara chamado Ernie Accorsi. “The GM” conta como foi a história profissional de Accorsi desde seus dias como jornalista esportivo (sim, só para me provocar) até a aposentadoria como executivo principal do New York Giants.

Tom Callahan, o autor, foi autorizado a acompanhar os Giants durante a última temporada da carreira de Accorsi, e escreveu um livro interessantíssimo.

É preciso conhecer um pouco da história dos esportes nos EUA para não boiar em certas passagens, como por exemplo o período em que Accorsi trabalhou com o lendário técnico Joe Paterno, na Universidade de Penn State, um de seus mentores. Mas o livro vale cada página.

A última edição tem um capítulo extra sobre o título dos Giants no Super Bowl XLII, um ano depois da aposentadoria de Accorsi, mas com o time que ele montou.

O livro também é um compêndio de boas frases.

De Joe Patterno, quando Accorsi aceitou seu primeiro emprego na NFL:

“Você está nadando com tubarões de verdade agora, Ernie. Se você tentar jogar o jogo deles, será comido vivo. Seja como você é. E não esqueça que essa gente tem tanto medo de nós quanto nós temos medo dela”

De Tom Coughlin, técnico dos Giants:

“Ser técnico é obrigar pessoas a fazerem o que não querem, para que elas se transformem no que sonham ser.”

De Accorsi para Coughlin, na véspera do que poderia ser o último jogo da carreira do GM, quando o técnico disse “não quero pensar nisso”:

“Tom, Dwight Eisenhower era um general de cinco estrelas. Na Normandia, ele tinha um plano B. Você também tem de ter um, ok?”

O livro não tem versão em português.


SUGESTÃO DE LEITURA

02/03/2010

Ouvi falar de Michael Lewis, pela primeira vez, em 2003, quando li a respeito de um livro que ele estava escrevendo sobre beisebol.

“Moneyball”, que trata da revolução provocada por novas estatísiticas e, consequentemente, novas formas de se avaliar jogadores, construir times e fazer contratos, é leitura obrigatória para interessados.

Aliás, parece que vai virar filme (Brad Pitt  e o diretor Steven Soderbergh estavam envolvidos no projeto, mas creio que algo deu errado) em breve.

Tempos depois, Lewis escreveu “The Blind Side”, que tem o futebol americano como pano de fundo de uma história real.

Esse já virou filme, com Sandra Bullock.

Lewis é um escritor talentosíssimo, um cracaço do teclado, que escreve sobre os assuntos que lhe interessam. Apesar dos dois ótimos livros que citei, esportes não são o habitat dele, e sim o mundo dos negócios.

Neste mês, ele lançará “The Big Short”, uma história fascinante sobre um estudante de medicina que ficou multimilionário porque previu tudo o que aconteceria na economia do mundo, a partir da crise do mercado imobiliário americano.

O grande lance é como, e por que, ele viu o que quase ninguém viu.

A revista Vanity Fair (da qual Lewis é um dos colaboradores) acaba de publicar um capítulo adiantado do livro.

São 25 páginas (obviamente, em inglês) que valem cada frase.

O livro deve ser espetacular.

ATUALIZAÇÃO – Claro, eu não deveria ter esquecido de “Liar’s Poker”.


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