SIMPLES: VÁ AO DOIS

09/08/2010

No sábado, vi a dica do Marcelo (nos comentários do post abaixo, obrigado) sobre o Dois – Cozinha Contemporânea.

Liguei, reservei, e só depois chamei minha mulher para dar uma olhada no cardápio.

Uma confissão: não me dou muito bem com o que se chama de “cozinha contemporânea”. Estranha definição, porque pode ser qualquer coisa. Seja o que for… espumas, reduções, invenções, flores comestíveis… essas coisas nunca me pegaram.

Por isso li as opções do Dois achando que seria mais uma daquelas noites em que, na volta para casa, estaria solenemente arrependido por não ter ido a algum lugar conhecido, aprovado.

Que grande engano.

Na chegada, o segurança se aproximou para avisar que o restaurante não tem serviço de manobrista. Achei meio surpreendente, mas, afinal, o Vito também não tem. Mas o cara disse que poderíamos estacionar na porta.

Entramos e foi como aparecer na sala da casa de alguém. O salão do Dois é pequeno, com poucas mesas (cabem umas 40 e poucas pessoas), simpático. Simples, sem afetação nenhuma.

As surpresas começaram no couvert. Uma cestinha de pães, quentes, acompanhados por sal, azeite e requeijão. Sim, requeijão em vez de manteiga. Gosto muito de pão com manteiga, mas devo dizer que o requeijão fez seu papel com maestria.

O Dois, como o nome deixa bem claro, tem dois proprietários. Um fica na cozinha, o outro fora, num atendimento “personalizado” a todas as mesas. Explica os pratos, dá sugestões, ajuda a escolher o vinho, tudo na medida certa.

Pedi um filé mignon com crosta de tutano e molho roti, batata bolinha e alho assado com azeite.

Minha mulher escolheu um galeto com farinha de pão e batatas salteadas.

Uma palavra só? Deliciosos. De comer devagar para não acabar rápido.

O vinho foi um bordeaux.

Destaque, também, para a sobremesa: bolo de chocolate (o nome era outro, mas era um belo de um bolo) com amêndoas e farofa doce. E, acredite, rabanadas com sorvete de leite.

As rabanadas são espetaculares.

Saímos pensando que o Dois é um desses lugares que deveriam ser segredos de quem conhece, pois quanto mais gente, mais difícil de arrumar um lugar. Mas não é justo com um restaurante tão bem conduzido, sem nenhuma frescura, que serve uma comida que merece aplausos.

Então, aí vai: confira.

Certamente voltaremos.


TRÊS COPOS

01/08/2010

Nasceu mais um filho dos restaurantes de Rogerio Fasano (aliás, estamos preparando o relato sobre a visita ao “pai de todos”, uma experiência perfeita que aconteceu na semana passada), em São Paulo.

O Tre Bicchieri (R. General Menna Barreto, 765 – 3885-4004) tem DNA “fasanês” por todos os lados.

Dois dos três sócios trabalhavam no Gero. O terceiro, no Nonno Rugero. Juscelino Pereira, dono do formidável Piselli (mesma linhagem), é um dos consultores do novo restaurante italiano da cidade.

Toscano, para ser mais preciso.

Liguei para o Tre Bicchieri numa quarta-feira à noite, querendo reservar uma mesa para sexta. “Não temos mais reservas disponíveis para o fim de semana”, foi a resposta que ouvi.

No sábado, resolvemos encarar a espera. Já não tinha lugar para sentar no bar quando chegamos, mas o serviço eficiente e atencioso logo desocupou uma mesinha e pedimos um vinho para aguardar.

A carta é especializada em rótulos toscanos. Ótimos Chiantis para todos os gostos e bolsos.

Convenci o marido da irmã da minha mulher (por algum motivo, não gosto da palavra “cunhado”, e muito menos de “concunhado”) a dividir a gigantesca bisteca à fiorentina, gloriosos 600g de carne. Afinal, não queria passar a noite acordado.

O prato vem acompanhado de uma salada e batatas rosti. O primeiro pedaço estava sensacional. O segundo, muito fibroso.

Desculpe, mas não me lembro exatamente das massas pedidas pela minha mulher e pela irmã dela. Lembro que estavam bem boas.

O salão é bonito, decorado com bom gosto. Ambiente agradável.

O serviço me chamou a atenção. Restaurante novo, gente saindo pela janela, mas fomos bem atendidos. Os caras estão fazendo muito sucesso.

Minha impressão foi a mesma que tive em outros “descendentes” do Fasano (gosto de todos): ficar comparando com o patriarca é um erro e uma injustiça.

Se você quer comer o prato que adora no Gero, vá ao Gero (o que, aliás, nunca é uma má ideia).

Voltaremos.


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