BONS DIAS

07/01/2011

Há momentos em que olho para cenários como esse (sim, a foto é minha, feita pelo celular. Clique para aumentar) e não posso aproveitá-los como gostaria.

Lembro de um Torneio das Américas de basquete em Porto Rico, acho que em 2003, em que o resort na praia em que ficamos hospedados era um lugar excelente para tudo, menos trabalho.

Jogos da Seleção Brasileira no Nordeste também produzem, sempre, uma sensação parecida.

Mas cada coisa tem sua hora e, agora, é hora de desfrutar. Em família, o que é muito melhor.

Os dias têm começado com corridas cada vez mais longas e agradáveis. Fiz uma “revisão” no fim do ano e felizmente está tudo certo.

No teste ergométrico, o médico olhou minha ficha e disse o seguinte:

– Você está com 37 mil quilômetros, André?

– Isso.

– Rodando 10 por dia, quatro ou cinco vezes por semana?

(rindo) Nas boas semanas, é isso.

– Ótimo, vamos ver até onde você vai hoje…

Para minha surpresa, foi o melhor resultado nos últimos 5 anos.

Sentir-se em boa saúde é um tipo de satisfação diferente, quase uma alegria. Algo cada vez mais importante, que faz cenários como o acima serem ainda mais bonitos.

Espero que todos estejam bem.


BABÁ ELETRÔNICA EM APUROS (post longo)

02/01/2011

Pelo terceiro ano seguido, passo uma semana em família (3 gerações) num delicioso hotel no interior de São Paulo.

A programação é feita para as meninas aproveitarem, e vê-las se divertirem o dia todo é o que importa.

Mas a mais nova ainda dorme depois do almoço, as duas vão para a cama bem cedo à noite, o que nos obriga a monitorar o sono delas enquanto os adultos almoçam e jantam.

O hotel oferece um serviço de babá para essas situações, mas preferimos dar outro jeito.

Reservamos sempre os mesmos quartos, que ficam num corredor exatamente em cima do restaurante. A babá eletrônica funciona à perfeição, a ponto de conseguirmos ouvir a respiração das meninas e qualquer outro ruído no quarto delas. Da mesa ao quarto, não dá mais do que um minuto.

Também sentamos sempre à mesma mesa, ao lado de uma providencial tomada.

Anteontem, por algum motivo, alguém sugeriu que mudássemos de lugar para o almoço. Havia muitas tomadas por perto, portanto não haveria problemas. Na hora de ligar a babá, zebra.

A luzinha acendeu… e apagou. Nas tentativas seguintes, nada. Temi pelo óbvio: aparelho de 110v ligado numa tomada de 220v…

Ocorre que eu tinha perguntado à recepção sobre a voltagem. Ouvi que todas as tomadas eram 110. Quando fui me informar sobre a existência de uma loja de produtos para bebês na cidade, os funcionários quiseram saber o que tinha acontecido. Falaram sobre uma suspeita de que havia uma tomada 220v no restaurante. Bem… já não era mais uma suspeita.

Aquele pequeno aparelho eletrônico é tão importante na dinâmica da estadia, que deveríamos andar com um de reserva. Não andamos e o problema estava instalado: ou se arrumava outro, ou teríamos de nos revezar na vigília. Situação dramática, pois as conversas nos almoços e jantares são sempre agradáveis. Meu pai foi o primeiro a “se sacrificar”.

A recepção nos deu dois endereços na cidade. Um era de um local de reparos de aparelhos eletrônicos, que talvez pudesse ajudar. O outro, da tal loja de produtos infantis. Na primeira parada, a confirmação do que já se sabia – a babá estava queimada e não havia como consertar. Na segunda, a moça do balcão disse que os 3 aparelhos que ela tinha na loja tinham sido vendidos naquele dia.

Eu já estava cogitando a hipótese de voltar para São Paulo e trazer outra, quando tive uma ideia. O hotel possui várias redes wi-fi que funcionam bem. Se conseguíssemos fazer uma conexão de FaceTime entre o meu iPhone e o da minha mulher, teríamos até como ver (não apenas ouvir) as meninas dormindo.

Voltando para o hotel, nem lembrei que tinha trazido meu laptop (eu ainda tinha uma coluna para escrever para o jornal), o que nos permitiria usar apenas um telefone.

Testei o “sistema” à tarde, sem falhas. À noite, “pra valer” durante o jantar, funcionou perfeitamente. A imagem ficou quase que totalmente escura, mas o som era de ótima qualidade. Cerca de uma hora e meia de conexão consumiu 30% da bateria do iPhone. O que é mais legal: ao apertar a tecla mute no celular, impede-se que o outro lado ouça qualquer coisa, mas não se corta o som que vem do outro aparelho.

No dia seguinte, último do ano, conseguimos convencer nossa mais velha a dormir após almoçar, para que ela aguentasse até os fogos à meia-noite. As duas foram para a cama, e nós, para o restaurante, com o “big brother” ligado. A luminosidade que entrava pelas janelas permitia vê-las deitadas.

Estávamos no meio do almoço, quando ouvi um barulho e vi um vulto na tela do telefone. Meu primeiro pensamento – alguém entrou lá – quase me matou do coração. Era minha filha mais velha, sentada na cama. Meu pai levantou e foi para o quarto.

Aí nos ocorreu algo que não tínhamos pensado: dava para falar com elas. Desabilitei o mute e chamei minha filha, que logo respondeu. Avisei que o avô delas estava chegando, mostrei que estávamos todos no restaurante. A mais nova também acordou, as duas se posicionaram na frente do computador, e ficamos conversando.

Engraçado como a tecnologia nos possibilita tantas coisas. Acho que a babá eletrônica vai perder o emprego.


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