JAPA DE PRIMEIRA

27/02/2011

Acredito que quebrei um recorde pessoal.

Jantei no mesmo lugar nos últimos quatro sábados (e esse lugar não é a minha casa).

O Nagayama é meu restaurante japonês favorito. Fica no Itaim-Bibi (também tem um nos Jardins), em São Paulo. Quem conhece pode perguntar: mas qual?

O primeiro restaurante foi aberto em 1988. Pequeno, simples, algumas mesas e o balcão, onde se come acompanhando a preparação dos pratos. Está lá, com a mesma cara, até hoje.

Mas o sucesso foi tamanho que os dois imóveis vizinhos, um de cada lado, foram agregados.

O da esquina, o Nagayama Café, é uma opção para quem tem algo mais em mente, além do sushi. Nunca entrei, mas está sempre lotado.

Os outros dois, posso recomendar sem medo.

O que fica do outro lado é o Naga, último a ser inaugurado. Mistura a comida competente do irmão mais velho com um ambiente maior e decoração mais caprichada.

O problema é a fila. Você chega e pergunta em qual dos dois a espera é menor. Mesmo em horários em que se imagina menos dificuldade, como 23 horas, a resposta pode ser algo em torno dos 40 minutos. Sentar no balcão é excelente opção para casais ou alguém sozinho.

O Nagayama não se considera alta gastronomia japonesa, como algumas excelentes casas paulistanas (o Jun Sakamoto é o primeiro da lista). Serve sushi e sashimi no mesmo prato, por exemplo. Mas você jamais verá aquelas barcas de madeira com comida à bordo. Tudo tem limite.

A grande qualidade é a regularidade. Peixe cru é coisa complicada, qualquer pequeno problema pode afetar sabor, temperatura, consistência e arruinar a experiência. No Nagayama, você sempre comerá bem. Não é barato, mas como sou adepto do “comida cara é comida ruim”, acho justo.

Meu pedido é sempre meio conservador. Dou preferência a sushis e sashimis de salmão e atum. Não como califórnias, ovas e invenções que agridem a natureza das coisas, tipo temaki com maionese.

E tem uma coisa que me faz voltar sempre: o serviço.

Se você sentar-se ao balcão, contará com a simpatia (contida, como deve ser) dos sushimen. Se escolher uma mesa, receberá tratamento profissional e atencioso.

Um exemplo: quando seu copo de cerveja (long necks variadas e marcas japonesas, para quem gosta) ficar vazio, ele será rapidamente trocado por outro novo, que estava na geladeira e chegará embaçado, trincando.

Nesse calor, a combinação é imbatível.

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QUESTÃO DE CONFIANÇA

25/02/2011

Lembra de quando você era criança e se deparou, aterrorizado, com um cachorro solto? E alguém disse para não correr e não demonstrar medo?

Clique aqui.

Este link deveria estar ao lado da palavra “coragem”, nos dicionários de todas as línguas.


SERASA

14/02/2011

(Um aviso: como se pode ver abaixo dos posts, agora é possível compartilhá-los em redes sociais e também por email. Espero que a novidade seja útil.)

Fui almoçar no Rufino’s do Guarujá, sábado retrasado.

Estávamos por ali, minha mulher sugeriu, eu obviamente acatei.

Chegamos meio mortos de fome, mas sentamos rápido e as tradicionais lulinhas do couvert desapareceram em segundos.

Examinávamos o cardápio, quando uma mensagem nos chamou a atenção: SÓ ACEITAMOS CARTÃO X%Y#Z&$$.

Minha mulher ficou pálida.

Eu até tenho o cartão X%Y#Z&$$, mas praticamente não posso usá-lo pois esqueci a maldita senha do chip. Eu tinha uns R$ 70 na carteira, nenhuma folha de cheque. Como minha mulher tinha saído sem bolsa, a situação ficou tensa.

Chamei o garçom, relatei o problema. O couvert já tinha sido consumido, algumas águas também. Ele foi compreensivo, mas o que poderia fazer? Foi conversar com o maitre.

Voltou dizendo que nós poderíamos almoçar tranquilamente, e depois resolveríamos o problema.

Se ele estava falando…

Dividimos um filé de peixe com molho de camarão. Ótimo. Café e conta, porque o processo é automático.

Aí lembrei que a conta só serviria para estimar o tamanho do problema a ser resolvido.

O maitre ouviu minha proposta: eu deixaria os R$ 70, meu RG, e voltaria ao local onde estávamos hospedados para buscar um cheque.

“Nada disso”, ele respondeu, com aquela cara de quem ouviu uma bobagem. “O senhor volta quando puder, não precisa ser hoje”, completou.

Aí ele me trouxe uma espécie de formulário para preencher. É sério, como se fosse um cadastro de devedores. Se me lembro bem, tem espaços para nome, número do RG, telefone, valor da “pindura” e assinatura. Nunca tinha visto nada parecido.

Em vez de aceitar outros cartões de crédito, o restaurante faz um registro de quem não pagou. O problema é que é na base da confiança. A malandragem fica à vontade para escrever o que quiser naquele papel.

Preenchi o formulário, saímos, fui buscar o cheque e voltei. O maitre me olhou com certa surpresa. Creio que por causa da rapidez do meu retorno.

Quando voltarmos ao Rufino’s (o que é uma certeza), estarei prevenido.


E O LEITINHO?

09/02/2011

Um comentário do Willian, no post anterior, me fez lembrar de uma história sobre serviços de manobristas:

Uns dois anos atrás, saímos para jantar com um casal de amigos. O restaurante (que não existe mais) ficava na rua da Consolação, em São Paulo.

Chovia uma barbaridade e a inclinação da rua criou uma onda que tomou conta de metade da calçada. O manobrista percebeu que era impossível descer do carro, e pediu para que eu subisse na guia rebaixada em frente ao imóvel vizinho.

Assim fiz, o cara se aproximou com um guarda-chuva e acompanhou minha mulher até a porta. Eu pulei rapidamente, levei uma água considerável, mas cheguei vivo. Lembro até hoje do estado do tíquete do carro, quase despedaçando de tão molhado.

Muito bem. Na hora de ir embora, ainda chovia. Levei o tíquete para o manobrista e fiquei esperando embaixo do guarda-sol. Meu carro chegou, minha mulher entrou e fomos para casa.

No dia seguinte, pela manhã, o carro estava ralado acima do paralama traseiro, do lado esquerdo.

Era uma ralada bem bonita, ainda com fragmentos brancos do que devia ser uma mureta ou uma coluna. E o mais sensacional: alguém tinha tentado “dar um tapa” no local, para diminuir o estrago. Marcas circulares, semelhantes às de um pano sujo, ficaram ali.

Reconstituí a cena do crime: eu abri a porta para minha mulher e dei a volta no carro, pela frente, para entrar. Estava incomodado pela chuva e nem olhei se o carro estava inteiro.

O serviço custava R$ 9,00 (barato, perto do que se cobra hoje), valor na medida para estimular a caixinha de 1 real ou aquele “tô sem troco, campeão”.

Mas o manobrista que trouxe meu carro foi mais requintado. Perguntou se eu ia deixar “o leite das crianças”. Deixei.

Sim. O cara ralou meu carro, tentou esconder, não me contou e ainda levou 1 real.

Liguei para o restaurante. Ao ouvir o ocorrido, prontamente, a pessoa que me atendeu disse que o serviço era terceirizado. “O senhor quer o telefone da empresa?”

“Não, quero o telefone da dona do restaurante.” Falei com ela e tudo se resolveu.

Hoje, quando o manobrista dá aquela geral no carro para ver se tem algo errado, sinto mais firmeza. Mas como respondi ao Willian, não há opção.

Estacionar na rua, longe da porta, é viver (ainda mais) perigosamente.


O TWITTER (e um forno em manutenção)

02/02/2011

Em abril de 2009, fiz este post em meu blog no Lancenet! sobre o Twitter.

Foi um “pensamento alto” e, ao mesmo tempo, uma pequena pesquisa. Com a novidade explodindo na rede mundial, não conseguia enxergar como usá-la profissionalmente. O uso pessoal, obviamente, nunca foi cogitado. Esse tipo de coisa não é para mim.

Lembro que a maioria dos comentários do post concordou comigo. Entre twitter ou não ter, a opção foi não ter. Mas na verdade não foi bem assim.

Desde então, quase dois anos atrás, eu estou no Twitter. Mas não estou. Quer dizer, uso metade do que o Twitter oferece. Sou apenas um leitor secreto, jamais digitei o primeiro dos 140 caracteres a que tenho direito.

Já tive vários nomes diferentes (todos “de fantasia”), já segui mais de 100 pessoas, nunca me empolguei.

Explico: para quem vive no mundo em que vivo, o do jornalismo, o noticiário é onipresente. Fica-se sabendo das coisas todos os dias, o tempo todo. Claro, às vezes demora mais, às vezes menos, mas as notícias estão sempre chegando.

Na minha vida de tuiteiro pela metade, não me lembro de ter pensado que “eu não teria ficado sabendo disso se não fosse o Twitter”. Mesmo porque os jornalistas que deram furos de 140 caracteres sempre acabaram escrevendo posts em blogs, reportagens em sites e jornais, boletins em rádios e TVs.

Ocorre que meu ponto de vista era o pior possível para fazer essa análise. A ficha caiu agora, nas minhas férias, em que passei cerca de 20 dias fora do Brasil.

Eu sabia que não conseguiria me desplugar completamente, então fiz uma experiência: decidi usar o Twitter para (tentar) me informar sobre as coisas. Cada navegada pela internet começou por ele.

Foi interessante, divertido e – importante dizer – satisfatório.

Segui vários colegas que respeito e admiro, alguns perfis institucionais de empresas jornalísticas e muitos repórteres e colunistas estrangeiros que sabem utilizar o espaço com maestria.

Para quem não vive cercado pelo noticiário, o Twitter pode ser indispensável.

Para quem faz o que eu faço, pode ser muito útil. Desde que se “acerte a mão”.

Vou ver se consigo. A partir de hoje, entrarei na conversa para informar/opinar, divulgar minhas atividades e as de outras pessoas.

Você pode me seguir em @KfouriAndre

Um pedido: se algum dia eu escrever “bom dia, acabei de tomar café” (ou similares), por favor chame a ambulância.

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Voltamos anteontem ao Olea Mozzarella Bar, local já comentado (e aprovado) aqui.

A ideia era fazer uma despedida das férias com a melhor coisa já inventada usando o leite das búfalas, seguida pela pizza italiana servida lá. A vontade específica se acumulava há mais de um mês.

Cheguei com minha mãe, minha mulher e minhas filhas. Em minutos, estávamos exagerando nos pães, na berinjela… era melhor pedir logo as pizzas.

Cardápio na mão, perguntei a elas o que queriam. Ao lado da mesa, o garçom se antecipou:

– Hoje não temos pizza…

Acho que olhei para o cara como se ele fosse de outro planeta. A simples possibilidade de ser verdade me aterrorizou.

Claro que era.

Houve um problema no forno, que estava “em manutenção” apenas naquela noite. Que fase.

Expliquei que nosso plano era pizza, e que continuaria a ser. O dono do restaurante foi absolutamente gentil. Fomos embora atrás de uma segunda opção, mas a noite acabou ali.

A pizza italiana que o Olea serve não pode ser encontrada em outro lugar. E mesmo se pudesse, não seria a mesma pizza na qual pensei por semanas.

Pode ser exagero meu, mas terei de voltar em breve.


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