BAIXA ROTAÇÃO

10/04/2011

Estive nas duas apresentações anteriores do U2 (Popmart em 98 e Vertigo em 2006) em São Paulo. O show de ontem, estreia da turnê  360°, foi o que menos me agradou.

Não me entenda mal. Gostei do show e pagarei ingresso para ver o U2 sempre que a banda vier ao Brasil. O problema é que depois de Popmart e, principalmente, Vertigo, saí arrepiado do Morumbi.

Ontem, não foi igual.

Metade da responsabilidade é minha. Comprei entradas de cadeira superior para mim e para minha mulher, o que prejudicou a parte sonora (obviamente a mais importante) da experiência.

Vimos os outros shows da pista, longe do palco. Você só vê bem os caras no telão, mas ouve com perfeição.

Nas cadeiras, é o contrário. A visão é privilegiada, em detrimento do som, que fica consideravelmente mais baixo e, como posso dizer?, “menos claro”.

Não tenho conhecimento de acústica para explicar por quê, mas suspeito que o concreto tenha algo a ver com isso.

Do meu ponto de vista (ou seria melhor dizer “ponto de audição”?), o show não foi arrebatador. Não deixou meus ouvidos apitando, não me arrepiou. Gosto do Bono como cantor, mas gosto mais do Edge como guitarrista. O som embaralhado, sem que se consiga identificar bem os instrumentos, foi meio frustrante.

Amigos que estavam na pista relataram um show totalmente diferente. Pelo menos, não tomamos chuva…

Culpa assumida, é hora de reclamar de uma de minhas bandas prediletas. Porque, ontem, faltou pegada ao U2.

Tocar a espetacular “Magnificent” uma marcha abaixo é inexplicável. Passei um tempo achando que era apenas uma introdução diferente, que logo ia explodir… e nada.

Tenho várias versões de “Magnificent”, ao vivo. Ao chegar em casa, me deu vontade de ouvi-las.

O curioso é que o show teve vários momentos de potência, como “I Will Follow”, “Beautiful Day”, “Elevation”, “Vertigo” e “Where The Streets Have no Name”. Fantásticas, inesquecíveis, como sempre.

Claro que é uma avaliação pessoal. Se eu pudesse determinar o setlist, as baladas ficariam fora. Não desgosto, apenas prefiro as outras. O que não me impede de ter achado muito bonita a versão de “Stuck in a Moment”, só com violão e voz.

O show também teve as tradicionais mensagens contra a pobreza e a favor dos direitos humanos, marcas de um cantor que não é mais só um cantor. Acredito que, se Bono não fizer mais isso, as pessoas acharão que é um impostor.

No final, bonita homenagem às crianças que morreram no massacre da escola no Rio de Janeiro, com os nomes exibidos no telão. Um momento de tristeza, necessário.

Energia legal, cerca de 100 mil pessoas no estádio, um espetáculo que sempre vale a pena. A questão é que já vi melhores.

Fiquei com a impressão de que foi um show “lento” (de novo: parte da culpa é minha). Algumas pessoas podem pensar que a idade está chegando para o U2, o que seria absolutamente natural.

Mas acho que não. Acho que foi opção.

Quando será a próxima turnê?

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