O PATRIARCA

Fiquei devendo, e faz tempo, o relato de uma visita ao “pai de todos”.

Pois bem, voltamos recentemente. Aí vai:

Fasano é um lugar especial em São Paulo, porque não fica em São Paulo. De fato, não fica no Brasil.

Nada contra os restaurantes paulistanos e brasileiros de todos os tipos e cardápios, que fique claro. A fartura e qualidade de opções é reconhecida internacionalmente. Para quem gosta é um privilégio.

Só que há lugares que têm o poder de fazer o cliente viajar sem entrar no avião. O Fasano é assim: te leva para a Europa.

A partir do momento em que se entra no hotel, o ambiente, a decoração, o cheiro, é tudo diferente. A viagem continua até o restaurante.

Chegamos numa sexta-feira fria. As lareiras do lobby estavam acesas, contribuindo para o clima europeu da experiência.

A mesa estava reservada, nós não nos atrasamos e por isso não tivemos que passar pelo bar – o que não teria sido necessariamente um problema.

É interessante como um dos locais mais sofisticados da cidade consegue ser simpático e agradável no trato com os clientes. Mérito dos funcionários. Não há nada esnobe ou desnecessário no serviço, característica das casas de Rogério Fasano.

O couvert chegou em segundos. Pedimos água para acompanhar uma garrafa de vinho que levamos, e logo recebemos na mesa a visita do sommelier Manoel Beato.

Beato é uma figura simpaticíssima, uma das atrações do Fasano. Ele quis saber se tínhamos alguma recomendação para o vinho. Obviamente, deixamos tudo a critério dele.

Não sou um conhecedor de vinhos, mas um admirador. Além de beber, gosto de ler sobre o assunto e conversar com quem conhece. Espero que o Beato não tenha ficado incomodado com minhas perguntas.

O salão do Fasano estava com uns 60% de ocupação. Muitas mesas aparentemente formadas por hóspedes do hotel, incluindo uma mais barulhenta, perto de nós, que não chegou a atrapalhar mas foi motivo de alívio quando se levantou.

Minha mulher e eu pedimos os mesmos pratos. As costeletas de cordeiro com crosta de pão, com dois acompanhamentos: risoto de parmesão (para ela) e purê de batata (para mim).

Costeletas de cordeiro são um problema pessoal. Elas me cegam para outras possibilidades. É a segunda vez que vou ao Fasano e nem olho o cardápio.

Este post também serve para anunciar que o topo do meu ranking particular mudou. É do Fasano a melhor costeleta de cordeiro que já experimentei.

Para facilitar as coisas: TUDO estava excepcional.

Torta de maçã e sorvete de pistache de sobremesa. Café e chá.

O Fasano é um lugar para ir de vez em quando, de modo que não se torne “comum”. Um restaurante para jantares especiais.

Voltaremos.

(Desculpem pelo longo período de hibernação do blog. Como quem perde tempo com visitas a esta página bem sabe, o MG é uma iniciativa puramente pessoal, que trato sem a menor pressão. Compreendo e obviamente agradeço o interesse. Tentarei ser mais frequente.)

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21 Responses to O PATRIARCA

  1. Leandro Azevedo disse:

    Parece ter sido algo fantastico mesmo… Recomenda algum lugar em NY para comer costeleta de cordeiro?

    AK: Infelizmente, não. Mas tenho certeza de que as boas steakhouses não decepcionarão. Um abraço.

  2. Danilo Pimentel disse:

    Fala André,
    Uma curiosidade que sempre tive: é preciso estar vestido de algum modo específico? E não esqueça da sugestão que lhe dei sobre a nova Rodeio do Iguatemi, mesmo pra almoço. Abraço

    AK: O restaurante é elegante, acho que é bom estar de acordo. Mas não como esses em que o cara precisa estar de paletó senão não entra. Já vi gente de tudo o que é jeito lá. Obrigado novamente pela dica. Um abraço.

  3. Anna Barros disse:

    Também gosto de ler e aprender sobre vinhos. Tive um namorado que entendia bastante e acabou me passando o gosto pelo assunto. O restaurante Fasano parece muito especial, mesmo. Achei legal ter uma lareira dando um clima mais europeu ainda. 😉

  4. Anna Barros disse:

    André, acho legal aprender sobre vinhos. O restaurante parece simplesmente sensacional. Achei bacana a lareira. Que bom que o Mais Gelo voltou!

  5. Fabio disse:

    Sabe que deu até uma vontadezinha de ir. Mas dá um medo de passar vergonha. Interessante que em algumas matérias que lí sobre reporteres que foram jantar lá disseram que não é preciso ter vergonha. O manobrista não fez cara feia ao abrir a porta do Palio dela. Muito pelo contrário…

  6. Silas disse:

    Caro André,

    Sou assíduo leitor de seu blog esportivo e, mais ainda, do Mais Gelo. Encanta-me a simplicidade sofisticada – sem afetações – com que você sempre escreve. Sei que normalmente as coisas têm que ser cobradas pelo seu real valor, mas sendo do interior e não useiro em frequentar tais ambientes, fica sempre uma indagação no ar: quanto custa?
    Um abraço e não nos deixe muito tempo sem Mais Gelo, por favor.

  7. maesano disse:

    Que bom que você retornou ao MG. E especialmente por retratar o maravilhoso Fasano. Concordo com sua descrição sobre a forma como tudo funciona de forma perfeita nas casas de Rogério Fasano.
    Apesar de adorar o Fasano, meu preferido é o “irmão” Parigi, que leva a vantagem pois oferece a bela culinária clássica francesa como adicional.
    Infelizmente estou fora do Brasil há 3 anos e há muito tempo não visito nehhum destes restaurantes, mas matei um pouco a saudade neste post.
    Abração, Adriano Maesano

    AK: Fala, Adriano. Quanto tempo… nem me lembro quando foi a última vez que estive no Parigi. Está na hora de voltar. Obrigado pela visita. Um abraço.

  8. Murilo disse:

    Oi André, vc viu a nova lei de São Paulo? O couvert só pode ser servido se o cliente pedir. Acho justo!

    http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,couvert-so-pode-ser-servido-se-cliente-pedir,757486,0.htm

  9. eduardo pieroni disse:

    Boa andré, deu agua na boca.

    você acha que é possivel fazer uma costeleta em casa deste nivel????

    AK: Possível, deve ser. Se você conseguir, me avisa. Um abraço.

  10. Willian Ifanger disse:

    Ler o Mais Gelo perto do almoço sempre faz mal.

    Bom saber que existem locais sofisticados que apenas o queiram ter como cliente. Eu sempre evito esse tipo de lugar por ter a certeza que vou ver o cardápio e ficar perdidinho.

    Enfim, no caso do Fasano, pelo que você contou, parece que o pessoal da casa tem paciência o suficiente pra fazer o cliente saber o que escolher.

  11. André Luis disse:

    AK, só uma curiosidade. Quanto eles cobram a rolha? Se é que cobram. Já que você mencionou este detalhe, acho interessante saber o valor.
    O vinho seria um Malbec?

    SRN

    AK: Cobram caro. Era um Clos Apalta, tinto chileno feito com 4 uvas. Um abraço.

  12. pedrovaladares disse:

    André, esta a consequência de escrever bons textos: faz com que os leitores sempre queiram mais!

    Também sou louco por costeletas! Um bom vinho seco vai bem também!

    Você prefere seco ou suave? Tinto ou branco? Eu, particularmente, sou muito fã dos tintos secos}!

  13. Marcel Souza disse:

    Muito bom, post novo no Mais Gelo! Apesar de reconhecer que o Fasano deve ser uma experiência única, ele ainda está meio longe na minha lista de lugares para ir comer/beber em São Paulo. O problema é que cada vez está mais dificil tirar um dia pra fazer essas extravagâncias gastronômicas.

    André, não entendo nada de vinhos, mas gostaria de saber mais. O que você acha desses “clube do vinho” que oferecem um rótulo diferente por mês? Seria uma boa opção para conhecer mais sobre a bebida (e apreciá-la, claro)? 1 abraço!

    • Leonardo Rossetti disse:

      Marcel, a melhor opção para vc começar a entender sobre vinhos é fazer um curso básico na ABS-SP (Associação Brasileira de Sommelieres) ou na escola Ciclo das Vinhas, de propriedade da sommeliere Alexandra Corvo (caso vc resida em São Paulo). Esses cursos básicos, que duram de quatro a oito aulas, normalmente uma vez por semana, são definitivamente a melhor opção. Além disso há ótimos livros que ajudarão demais, como os do grande e já falecido Saul Galvão, Hugh Johnson, Dirceu Viana Jr e etc. A biblioteca sobre vinhos está cada vez mais vasta.
      Espeor ter ajudado. Um abraço!!

      • Marcel Souza disse:

        Muito bacana Leonardo! Nesse caso infelizmente eu não moro na capital, mas preciso mesmo procurar alguma forma de aprender mais sobre o assunto. Obrigado pela resposta!

        AK: Estou de acordo com a resposta do Leonardo. Cursos rápidos e leituras são o caminho indicado. Um abraço.

    • Leonardo Rossetti disse:

      Marcel, existe ABS também em Campinas.

      E há alguns cursos básicos itinerantes da Wine School, representante no Brasil do famoso instituto britânico de ensino sobre vinho chamado Wine & Spirits. Dê uma olhada no site da Wine School, de repente há algo programado perto de vc. Abraços

      AK: Obrigado pelas visitas e pela gentileza dos comentários. Um abraço.

  14. Vinicius Lemos disse:

    Realmente dá vontade de ir no Fasano e outras dicas. As de Londres eu já anotei para a minha viagem em janeiro, quando for a SP quero ir no Fasano, apesar da curiosidade de saber a média de preço. E na viagem pra Londres, passarei por Paris. Alguma dica?

  15. Othon Gervasio disse:

    Muito bom ! André, quando vier a Belo Horizonte recomendo o Benvindo, certeza que vc vai gostar ! Gde Abraço

  16. Leonardo Pires disse:

    André, perdoe-me a intempestividade. De antemão devo dizer que o MG junto com o seu blog do Lance! são, a meu ver, os mais democráticos e interessantes da rede. Única ressalva que faço, ainda que respeitando sua opção, é essa decisão de não declinar a média de preços cobrados nos restaurantes visitados. O claro exemplo do post que ora comento, é a negativa em dizer o preço da rolha. De novo, respeito sua opção, mas não a compreendo. Um abraço.

  17. Vinicius Lemos disse:

    Andre, fui no Fasano hoje e a sensação fora realmente de estar na Europa, algo de outro nível mesmo. Tdo perfeito.

    Costeleta de cordeiro pra mim, com arroz com açafrão e linguado com alcaparras para a minha esposa, com purê de batatas, espetacular.

    Noite incrível. Como nao tomo vinho, talvez a experiência nao tenho sido completa, mas a sobremesa foi espetacular também.

    Tomara que volte com os textos.

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