CORRA DO 348 (de Higienópolis)

17/09/2011

Costumo relatar aqui experiências agradáveis que tive e recomendo.

Mas este post inaugura uma faceta “quem avisa, amigo é” do Mais Gelo.

Estive na filial de Higienópolis do restaurante 348, na semana passada.

Foi a primeira e a última vez.

O 348 é um conhecido restaurante de parrilla argentina de São Paulo. A casa que fica na Vila Olímpia existe há muitos anos e é excelente. No ambiente, na carne, no vinho, no serviço.

Nunca me decepcionei lá.

A filial de Higienópolis abriu no ano passado e em nada, absolutamente nada, lembra o primeiro endereço.

Não sei se é um esquema de franquia, se são os mesmos donos. Só sei que não deveria ter o mesmo nome, é um embuste.

A fachada é até bonita, mas os elogios terminam aí.

Sentamos num corredor retangular que fica ao lado da cozinha. No fundo, uma televisão de plasma presa na parede já poderia ter sido um sinal de que algo estava errado.

Televisão em restaurante, exceção feita a “sports bars” e lugares como Outback e Applebee’s, é fria.

O 348 da Vila Olímpia é decorado com capricho, bom gosto, de forma a fazer o cliente se sentir em Buenos Aires.

O 348 de Higienópolis é decorado com desleixo, de forma a fazer o cliente se sentir num restaurante de beira de estrada.

Mas se fosse só isso, estaria bom.

Pedimos quatro bifes de contra-filé. Dois bem passados, dois ao ponto. Chegaram frios.

E os que deveriam estar ao ponto, estavam crus.

É fato que poderíamos chamar o garçom e relatar o problema. As carnes voltariam para a cozinha e, talvez, retornassem como pedimos.

Provavelmente deveríamos ter feito exatamente isso.

Mas tenho uma certa dificuldade nesse tipo de situação, tendo a pensar que o estrago já está feito e é irremediável.

Fora isso, o que esperar de uma casa especializada em carnes que não consegue servi-las conforme o pedido do cliente?

Os acompanhamentos, uma salada e uma porção de batatas fritas, vieram acomodados em gigantescas tijelas de vidro, como se costuma fazer em lanchonetes de parques de diversão.

Come aí.

Com muito esforço, chegamos à sobremesa. Panquecas de doce de leite.

O garçom falou que o prato estava quente. Poderia ter avisado que o doce de leite estava em chamas. Do tipo que queima – e queimou mesmo – a boca.

Para fechar a experiência, nossa mesa ficava no começo do tal corredor, bem perto da entrada da cozinha.

Só comemos o que pedimos, mas sentimos o cheiro de todos os outros pedidos feitos enquanto estivemos lá. Não foram muitos, é verdade, já que o lugar não estava concorrido, numa noite de sexta-feira.

Não surpreende.

Terrível.

Comentei o assunto com amigos viciados em carne, como eu. Foram unânimes ao estranhar a diferença em relação ao primeiro 348.

Voltarei ao endereço da Vila Olimpia para ver com meus próprios olhos.

A esse, de Higienópolis, aconteça o que acontecer, não volto nunca mais.


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