É PRA COMER

08/05/2012

A maioria dos clientes do Marina Di Vietri dirá que o restaurante é uma cantina italiana de ambiente simples, serviço meio desajeitado e comida ótima.

No sábado passado, descobrimos que é essa descrição é uma versão reduzida da realidade.

Uma semana antes, também numa noite de sábado, tentei jantar lá com minha mulher. Não conseguimos.

Paramos na frente do lugar às 22h45, e um manobrista disse que a cozinha estava fechada.

“Na revista está escrito que fecha às 23h, mas fecha antes”, ele concluiu.

Não sei a qual revista ele se referia, apenas não imaginava que um restaurante paulistano estaria de portas fechadas àquele horário, num sábado.

Voltamos no seguinte, às 10 da noite, e encontramos o mesmo manobrista. Ele tentava resolver um problema.

Ocorre que o senhor em questão trabalha sozinho. O que significa que se houver uma mesa saindo e pessoas chegando, ao mesmo tempo, o carro vai demorar.

Se houver uma mesa saindo e três carros chegando, numa rua estreita da Vila Nova Conceição, o caos estará instalado.

Percebemos a situação e demos uma volta no quarteirão. Nenhum lugar para estacionar.

De volta ao manobrista. “O senhor pode pegar o carro agora?”, perguntei.

“Posso. Dá uma encostada ali na frente para não parar o trânsito”.

Dito, feito, e entramos.

O salão é pequeno. Umas vinte pessoas lotam o lugar. O garçom apontou uma mesa para quatro pessoas, ao lado de uma parede, embaixo da… televisão.

Sim, há uma TV na parede (talvez você conheça minha opinião sobre aparelhos de televisão em restaurantes. Se não, está neste post), felizmente sem som.

O casal de amigos que esperávamos avisou que se atrasaria um pouco, e a fome nos obrigou a pedir um antepasto.

Mussarela de búfala, presunto de parma, pão italiano. Tudo delicioso.

Nossos amigos chegaram pouco antes das 22h30. Foram recebidos pelo manobrista: “Está fechado”.

Ao dizerem que havia uma mesa os esperando, o quadro mudou. Mas o manobrista estava ocupado com pessoas saindo e eles estacionaram o carro em frente à loja que fica ao lado do restaurante, travando um carro parado na vaga. Deram a chave para o manobrista e entraram.

Pedimos o couvert. Abobrinha, cebolinha, tomate e berinjela grelhados, no azeite. E mais pão. De novo, tudo delicioso.

Às 11 em ponto, o dono do restaurante atravessou o salão, em direção à entrada. Fechou a porta. Achamos melhor pedir os pratos.

Um nhoque ao molho de tomate e mussarela de búfala gratinada, um risoto com tomate seco e mussarela de búfala, e duas grigliatas mistas de frutos do mar com capelini na manteiga.

Repita comigo: tudo delicioso.

O jantar corria otimamente bem quando o manobrista apareceu. Dirigiu-se ao meu amigo:

– O carro ali na frente é seu?

– É.

– Onde está a chave?

– Eu deixei com você.

– Deixou? Então está trancada dentro do carro.

E assim, ele saiu. Deixamos para resolver o problema depois.

Estávamos na sobremesa quando o dono reapareceu. Desligou a televisão, abriu a porta e ficou ali, olhando para nós.

Além da nossa, só havia mais uma mesa, com pessoas conversando. Todo mundo entendeu o recado.

Café, conta, e a questão do carro a tratar. Não era simples.

O carro dos nossos amigos estava travando o veículo do dono do restaurante. Não havia como sair. Olhares para o manobrista, responsável pelo dilema, resultaram na melhor das explicações: “você não me falou que a porta travava sozinha…”

Nada da palavrinha mágica, ou sugestão para chamar um táxi. E o dono observava tudo, em silêncio, obviamente pensando que a noite seria longa.

Levamos nossos amigos para casa, claro. A brincadeira acabou por volta de 1h30 da manhã, quando eles voltaram com a chave reserva. O dono ainda estava lá.

É difícil separar os aspectos de uma visita a um restaurante.

Há quem diga que um serviço atencioso e competente é capaz de elevar o nível de uma comida média. Da mesma forma, muita gente se incomoda com um atendimento falho, independentemente da qualidade dos pratos.

O Marina Di Vietri, me parece, está num patamar diferente.

A ideia é servir pratos clássicos da cozinha italiana, sem frescuras ou invenções. Não se preocupe com porções pequenas ou inconveniências como excesso de molho. O capricho no preparo é evidente.

E o resto é o resto. Literalmente.

Se você for conhecê-lo – e este post é uma sugestão para você ir – vá pensando na comida.

Não haverá decepções.

Voltaremos (de táxi).


COMENDO EM INDIANAPOLIS

14/02/2012

O restaurante mais procurado de Indianapolis na semana do Super Bowl XLVI era o St. Elmo, steakhouse que existe há 110 anos.

Para se ter uma ideia, Eli Manning e Tom Brady jantaram lá na mesma noite, em salas separadas. Consta que Manning pagou o jantar para 25 companheiros do New York Giants.

Não dava para pensar em entrar no lugar sem uma reserva, e as reservas se esgotaram meses antes dos dias em que 200 mil visitantes apareceram na cidade.

Não consigo começar a descrever o quanto eu gosto desse tipo de restaurante, típico dos Estados Unidos. São estabelecimentos que servem carne e frutos do mar como se essas coisas vivessem juntas. Um dos pratos campeões de audiência é o chamado “surf’n’turf“: um belo filé mignon e um rabo de lagosta grelhada.

Bons steakhouses também se orgulham de suas cartas de vinhos.

Chegamos a Indianapolis na quarta-feira pela manhã e as primeiras 30 e tantas horas foram tão miseráveis em termos gastronômicos, pela mais absoluta falta de tempo, que prometi para mim mesmo que teríamos um jantar de gala no St. Elmo antes da semana terminar.

Não pude cumprir a promessa. Mas Indianapolis foi gentil conosco, ao apresentar uma solução quase tão boa.

A poucos metros do St. Elmo, os mesmos donos (Peyton Manning é um dos sócios) abriram o Harry & Izzy’s, um restaurante mais casual. A briga para entrar também era feroz, mas conseguimos uma mesa na noite de quinta-feira.

Começamos com porções de asas de frango e diversos molhos. Depois, foi um festival (éramos 9 na mesa) carnívoro.

Pedi um filé mignon acompanhado de creme de espinafre.

O creme não precisava ter vindo coberto de queijo ralado, o que obviamente condicionou o sabor. Mas felizmente a porção era farta e consegui tirar a “cobertura”.

O filé, de 8 onças (cerca de 230 gramas), veio exatamente como pedido: um pouco acima do “ao ponto” dos americanos, que é bem rosa por dentro, sangrando.

Dizem que a fome é o melhor tempero, e não devo omitir que era grande. Mas foi um ótimo jantar.

Tão bom que voltamos na sexta, quando a moça na porta disse que a espera ficaria “em torno de 2 horas”, com a expressão mais natural possível.

As ruas do centro de Indianapolis estavam fechadas para carros e tomadas pela multidão. Concluímos que esperar era a melhor opção.

Na calçada, dois coolers gigantescos forneciam cerveja (US$ 6,00 a garrafa long neck) para os interessados em consumir algo gelado com 2 graus negativos, enquanto a fila para entrar e aguardar no bar andava vagarosamente, no sistema “só entra se alguém sai”.

Conseguimos, depois de uma hora.

De repente, um grupo de pessoas entrou pela porta dos fundos, e com elas estava Tim Tebow. Ao passarem pelo bar, meio apressados, dois caras reconheceram o quarterback do Denver Broncos e fizeram o gesto que ficou famoso durante a temporada.

Tebow sorriu.

Na mesa ao lado da nossa, estavam Pat Riley, Carl Ripken Jr. e o produtor de cinema e televisão Jerry Bruckheimer (é absolutamente impossível você não ter visto algo que ele fez).

Coisas que acontecem na semana do Super Bowl.


NÁPOLES EM ORLANDO

12/02/2012

Na Disney, em termos de comida, tudo o que não faz parte do departamento nuggets/hamburguer/batata frita é notícia.

Se for comida de verdade, e de qualidade, é notícia das melhores.

Finalmente estivemos na Via Napoli, pizzaria que funciona no pavilhão da Itália, no Epcot Center.

Já tinha lido a respeito do lugar (clique no link para ver fotos bem melhores do que a publicada acima), pizzaria napolitana autêntica, que trabalha com ingredientes e produtos importados.

Tudo o que li é verdade. Ao experimentar o primeiro antepasto, você está na Itália.

Presunto cru e mussarela frescos, berinjela à parmegiana saborosa, brusquetas crocantes.

Mas o que interessa mesmo é a pizza que sai dos fornos gigantes, que recebem os nomes dos três vulcões ativos da Itália (Etna, Vesúvio e Stromboli).

Pizza genuína italiana é crocante nas bordas e úmida no centro. Tem muito molho de tomate (quase doce) e a quantidade certa de queijo para não ofuscar o mais importante: a massa.

A margherita que pedimos estava impecável.

Água Panna, cerveja Peroni, gelato de sobremesa.

Interessados devem fazer reserva. Na noite em que jantamos lá, no mês passado, o lugar estava lotado e com uma fila gigante na porta.

Para quem gosta, a chance de arrependimento é zero.


CORRA DO 348 (de Higienópolis)

17/09/2011

Costumo relatar aqui experiências agradáveis que tive e recomendo.

Mas este post inaugura uma faceta “quem avisa, amigo é” do Mais Gelo.

Estive na filial de Higienópolis do restaurante 348, na semana passada.

Foi a primeira e a última vez.

O 348 é um conhecido restaurante de parrilla argentina de São Paulo. A casa que fica na Vila Olímpia existe há muitos anos e é excelente. No ambiente, na carne, no vinho, no serviço.

Nunca me decepcionei lá.

A filial de Higienópolis abriu no ano passado e em nada, absolutamente nada, lembra o primeiro endereço.

Não sei se é um esquema de franquia, se são os mesmos donos. Só sei que não deveria ter o mesmo nome, é um embuste.

A fachada é até bonita, mas os elogios terminam aí.

Sentamos num corredor retangular que fica ao lado da cozinha. No fundo, uma televisão de plasma presa na parede já poderia ter sido um sinal de que algo estava errado.

Televisão em restaurante, exceção feita a “sports bars” e lugares como Outback e Applebee’s, é fria.

O 348 da Vila Olímpia é decorado com capricho, bom gosto, de forma a fazer o cliente se sentir em Buenos Aires.

O 348 de Higienópolis é decorado com desleixo, de forma a fazer o cliente se sentir num restaurante de beira de estrada.

Mas se fosse só isso, estaria bom.

Pedimos quatro bifes de contra-filé. Dois bem passados, dois ao ponto. Chegaram frios.

E os que deveriam estar ao ponto, estavam crus.

É fato que poderíamos chamar o garçom e relatar o problema. As carnes voltariam para a cozinha e, talvez, retornassem como pedimos.

Provavelmente deveríamos ter feito exatamente isso.

Mas tenho uma certa dificuldade nesse tipo de situação, tendo a pensar que o estrago já está feito e é irremediável.

Fora isso, o que esperar de uma casa especializada em carnes que não consegue servi-las conforme o pedido do cliente?

Os acompanhamentos, uma salada e uma porção de batatas fritas, vieram acomodados em gigantescas tijelas de vidro, como se costuma fazer em lanchonetes de parques de diversão.

Come aí.

Com muito esforço, chegamos à sobremesa. Panquecas de doce de leite.

O garçom falou que o prato estava quente. Poderia ter avisado que o doce de leite estava em chamas. Do tipo que queima – e queimou mesmo – a boca.

Para fechar a experiência, nossa mesa ficava no começo do tal corredor, bem perto da entrada da cozinha.

Só comemos o que pedimos, mas sentimos o cheiro de todos os outros pedidos feitos enquanto estivemos lá. Não foram muitos, é verdade, já que o lugar não estava concorrido, numa noite de sexta-feira.

Não surpreende.

Terrível.

Comentei o assunto com amigos viciados em carne, como eu. Foram unânimes ao estranhar a diferença em relação ao primeiro 348.

Voltarei ao endereço da Vila Olimpia para ver com meus próprios olhos.

A esse, de Higienópolis, aconteça o que acontecer, não volto nunca mais.


O PATRIARCA

10/08/2011

Fiquei devendo, e faz tempo, o relato de uma visita ao “pai de todos”.

Pois bem, voltamos recentemente. Aí vai:

Fasano é um lugar especial em São Paulo, porque não fica em São Paulo. De fato, não fica no Brasil.

Nada contra os restaurantes paulistanos e brasileiros de todos os tipos e cardápios, que fique claro. A fartura e qualidade de opções é reconhecida internacionalmente. Para quem gosta é um privilégio.

Só que há lugares que têm o poder de fazer o cliente viajar sem entrar no avião. O Fasano é assim: te leva para a Europa.

A partir do momento em que se entra no hotel, o ambiente, a decoração, o cheiro, é tudo diferente. A viagem continua até o restaurante.

Chegamos numa sexta-feira fria. As lareiras do lobby estavam acesas, contribuindo para o clima europeu da experiência.

A mesa estava reservada, nós não nos atrasamos e por isso não tivemos que passar pelo bar – o que não teria sido necessariamente um problema.

É interessante como um dos locais mais sofisticados da cidade consegue ser simpático e agradável no trato com os clientes. Mérito dos funcionários. Não há nada esnobe ou desnecessário no serviço, característica das casas de Rogério Fasano.

O couvert chegou em segundos. Pedimos água para acompanhar uma garrafa de vinho que levamos, e logo recebemos na mesa a visita do sommelier Manoel Beato.

Beato é uma figura simpaticíssima, uma das atrações do Fasano. Ele quis saber se tínhamos alguma recomendação para o vinho. Obviamente, deixamos tudo a critério dele.

Não sou um conhecedor de vinhos, mas um admirador. Além de beber, gosto de ler sobre o assunto e conversar com quem conhece. Espero que o Beato não tenha ficado incomodado com minhas perguntas.

O salão do Fasano estava com uns 60% de ocupação. Muitas mesas aparentemente formadas por hóspedes do hotel, incluindo uma mais barulhenta, perto de nós, que não chegou a atrapalhar mas foi motivo de alívio quando se levantou.

Minha mulher e eu pedimos os mesmos pratos. As costeletas de cordeiro com crosta de pão, com dois acompanhamentos: risoto de parmesão (para ela) e purê de batata (para mim).

Costeletas de cordeiro são um problema pessoal. Elas me cegam para outras possibilidades. É a segunda vez que vou ao Fasano e nem olho o cardápio.

Este post também serve para anunciar que o topo do meu ranking particular mudou. É do Fasano a melhor costeleta de cordeiro que já experimentei.

Para facilitar as coisas: TUDO estava excepcional.

Torta de maçã e sorvete de pistache de sobremesa. Café e chá.

O Fasano é um lugar para ir de vez em quando, de modo que não se torne “comum”. Um restaurante para jantares especiais.

Voltaremos.

(Desculpem pelo longo período de hibernação do blog. Como quem perde tempo com visitas a esta página bem sabe, o MG é uma iniciativa puramente pessoal, que trato sem a menor pressão. Compreendo e obviamente agradeço o interesse. Tentarei ser mais frequente.)


A ARTE DE SERVIR

16/06/2011

Reproduzo abaixo a coluna de André Barcinski, publicada no caderno “Comida” da Folha de S. Paulo de hoje. Comentários após o texto.

______

GARÇONS, INVADAM A FASHION WEEK!

NÃO EXISTE profissão mais injustiçada que a de garçom.

Tem muita gente que acha que basta equilibrar dois pratos em cima de uma bandeja para ser garçom. Quantas vezes você não ouviu: “Ah, estou só fazendo bico num restaurante até conseguir uma vaga no escritório de design”? Ou ainda: “Assim que a agência chamar, eu largo isso aqui!”?

Perdi a conta de quantas vezes fui atendido em algum restaurante por um(a) modelo(a) que passou mais tempo fazendo o cabelo que decorando o cardápio. Daí você faz qualquer pergunta que está fora do roteiro e eles se descabelam e correm para perguntar ao maître.

Garçom é que nem juiz de futebol: quando trabalha bem, passa quase despercebido. Mas vivemos na era das aparências. E tem muito lugar por aí que prefere um Justin Bieber de piercing no nariz a um garçom de verdade.

Cada vez que vou comer paella, puchero ou polvo à espanhola no PASV (av. São João, 1.145, SP) e sou atendido pelas duas senhorinhas adoráveis, Glória e Maria, que estão lá há tantos anos que nem lembro mais quem é a Glória e quem é a Maria (a solução é chamar as duas de “Glória Maria”), me aborrece mais ver lugares contratando modeletes.

Pertinho do PASV fica o La Farina (rua Aurora, 610, SP). Além de ter massas deliciosas e baratas, o lugar tem uma das maiores coleções de garçons “old school” da cidade. São veteranos que conhecem o cardápio -imenso- de cor, parecem adivinhar a hora de vir à sua mesa e trabalham com uma rapidez fulminante. Em suma: profissionais.

Acho uma tremenda injustiça o que fazem com os garçons. E como acredito no conceito da reciprocidade -dente por dente, colher por colher, essas coisas- queria sugerir aos nossos garçons uma atitude radical: por que não aproveitar a São Paulo Fashion Week e exigir, nem que seja por uns dias, tomar o lugar das modelos?

Eu não entendo patavinas de moda. Mas faria de tudo para ver dona Glória e dona Maria, com um tacho de paella fumegante, desfilando na passarela da Fashion Week. Isso sim seria uma vingança saborosa.
______

Temos aqui mais um caso de alguém que escreveu exatamente o que penso.

Exatamente.

Também não gosto quando vou a um restaurante e sou atendido por alguém que está ali para ser visto, não para servir.

Essa atitude estou-aqui-de-passagem se volta contra o estabelecimento, porque serviço é fundamental.

Nenhuma – atenção: nenhuma – crítica a trabalhos temporários, a quem busca se manter como garçon, barman ou seja como for, enquanto não surge uma oportunidade numa área preferida.

Não discuto, nem por um instante, o valor do trabalho.

A questão é como se faz.

Já passei algumas vezes pela situação mencionada no texto, de perguntar uma coisa sobre o cardápio ao garçom bem apessoado e ouvir o “espera só um minutinho…”.

Outras vezes, fui alvo dessas demonstrações de amizade artificial que, claro, são estimuladas pelo estabelecimento. Vai ver alguém acha que a relação cliente-garçom precisa ser discutida. Eu só acho que ela precisa ser eficiente.

Na boa, não consigo me sentir bem quando alguém, que nunca vi, me trata como amigo de velhos tempos. Isso não tem nada a ver com simpatia ou mesmo cortesia.

Não sei agir assim e me incomodo.

É totalmente diferente da relação que se cria quando nos tornamos clientes assíduos de um local, o que propicia encontros e papos agradáveis com gerentes, mâitres e garçons.

Como frequento basicamente as mesmas casas, isso acontece muito.

Se eu quisesse  ficar conversando com uma pessoa que não conheço, num restaurante, iria ao local sozinho e iniciaria a conversa.

Nunca me esquecerei da experiência que tive numa festa de casamento, há alguns anos. Nossa mesa foi atendida por um garçom “old school” (ótima referência de Barcinski), o melhor que já vi.

O trabalho dele era cuidar da área onde estávamos, tarefa cumprida com uma espécie de sexto sentido para as necessidades dos convidados.

Ele sabia o que nós queríamos, antes de querermos. E tinha um nível de atenção espantoso. Se posicionava a uma distância regulamentar das mesas, mas percebia todos os movimentos. Se alguém levantasse a cabeça, ele se aproximava. Ninguém precisou chamá-lo.

Lembro de escolher uma entrada de salmão e prontamente ser servido de uma taça de vinho branco. Terminei, levantei e me servi de carne. Quando me sentava, ele chegou com uma taça de vinho tinto e perguntou se eu queria água com ou sem gás.

Após o jantar, durante a festa, ele garantiu que as bebidas de cada convidado daquelas mesas fossem continuamente renovadas, fazendo com que todos se sentissem muito bem atendidos.

Na hora de ir embora, fui até ele, perguntei seu nome e apertei sua mão.

Em qualquer atividade, é possível ser profissional e competente.


COMENDO EM LONDRES

09/06/2011

Estou para escrever este post desde que voltei.

Mas a experiência que vou relatar está tão viva que o atraso não prejudicará a descrição.

Tenho um amigo que estabeleceu, com o pai, uma “tradição” sensacional. Desde o ano passado, eles tiram uma semana de férias juntos e vão para a Europa ver a final da Liga dos Campeões.

Que tal?

São pessoas de quem eu gosto muito e por conta da presença deles, estabelecemos nossa tradição também, que é dar um jeito de jantarmos juntos pelo menos uma vez na semana do jogo.

Conseguimos fazer isso em Madri no ano passado e agora em Londres.

Dessa vez, eles fizeram a reserva no restaurante de carnes do Jamie Oliver, o Barbecoa.

Foi minha primeira vez numa casa do famosíssimo chef, um cara que aprendi a gostar de ver na televisão, pela forma apaixonada com que ele fala de comida.

O Barbecoa fica num prédio moderno, em frente à Catedral St. Paul’s. Dá para ver a igreja de dentro do restaurante. É um ambiente elegante, de bom gosto, um pouco mais escuro do que eu gostaria (não deixe de clicar nas várias fotos da galeria do site).

O restaurante tem dois andares. No de cima, um enorme salão tem mesas grandes, com sofás.

Direto aos pratos: quando vi DRY-AGED SIRLOIN STEAK no cardápio, minha busca terminou. O fato de ser uma peça de contra-filé, uma de minhas carnes preferidas, de quase meio quilo, foi um estímulo.

Meus amigos tiveram a mesma ideia. Como acompanhamentos, uma salada e dois cremes de espinafre.

A carne estava impecável. Pedi a minha ao ponto, mal precisei da faca para cortar. Um pedaço alto, rosa por dentro, crocante e suculento.

O creme de espinafre foi simplesmente o melhor que já experimentei. Com uma camada de farinha de pão por cima, na consistência exata. Me obrigará a voltar ao Barbecoa na próxima visita a Londres.

Tudo na companhia de um Chianti e, para meu amigo, cervejas do variadíssimo menu de bebidas do restaurante.

Infelizmente, a sobremesa ficou para uma próxima oportunidade.

Garanto que voltaremos.

Dois dias antes, junto com o pessoal da ESPN, jantei num ótimo restaurante grego chamado Lemonia. Assunto do próximo post.


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